P. Ilustrações: Dia mundial do autismo
No Dia Mundial do Autismo, gostaria de convidá-lo a refletir sobre o impacto do capacitismo em nossa sociedade. Recentemente, tive a oportunidade de criar um infográfico sobre o autismo, como projeto final para o curso "Ilustração de infográficos para crianças e jovens, de Daniela Martagón, Ilustradora e artista visual de Madrid, Espanha".
Ao encontrar um modelo na internet, deparei-me com uma representação profundamente capacitista. Eu fiquei tão triste quando li esse infográfico, pois não apenas perpetua estereótipos prejudiciais sobre o autismo, mas também o retrata como uma "doença" a ser "curada", desvalorizando a experiência e a identidade das pessoas autistas.
Um aparte, eu já vivi esse tipo de situação em que fui excluída, sofrendo com o capacitismo de determinados colegas de turma excluindo a minha contribuição para um trabalho coletivo, como se o fato de eu ser autista fosse sinônimo de ser trouxa e não perceber o que estavam fazendo. Vieram com desculpas esfarrapadas para me excluir, forçando uma participação através de apresentações por videoconferências, em que eles, neurotipicos se sentiam muito confortáveis ... mas excluindo do grupo quem não se sente bem em contribuir desta única forma. Eu prefiro me expressar de outras formas, como estou fazendo agora, através da minha arte nas minhas redes sociais, e por isso mesmo eu e meu irmão abrimos este blog, para dar oportunidade aos que preferem outras formas de participação, de contribuição, de expressão, que não seja aquela única e mesmíssima forma de participação que é a "apresentação de trabalho" da escola tradicional, seja presencial, seja por videoconferência. Este blog pretende preencher esta lacuna que nós sentimos na maneira como as famílias da Clonlara School Off Campus Brasil estavam se organizando, e nossos tutores receberam de braços abertos a ideia. Então, voltando ao infográfico, diante dessa situação, decidi inverter o papel, transformando o capacitismo em foco do infográfico. O autismo não é uma doença a ser tratada, mas sim uma maneira diferente de ser e de experimentar o mundo. O capacitismo não pode ser tolerado, pois é uma atitude prejudicial que perpetua a discriminação e a exclusão das pessoas com deficiência física e neurodivergências, negando-lhes o direito à autonomia e à dignidade.
Ao fazer essa inversão, espero estimular uma reflexão profunda sobre como o capacitismo permeia nossas interações cotidianas e nossas instituições sociais. Devemos reconhecer que a verdadeira inclusão e respeito pela diversidade requerem o fim do capacitismo, assim como exigimos o fim de qualquer forma de discriminação.
Portanto, neste Dia do Autismo, convido você a se juntar a mim na luta contra o capacitismo, defendendo a igualdade de direitos e oportunidades para todas as pessoas, independentemente de sua capacidade ou neurodiversidade. É somente através do respeito mútuo e da valorização da singularidade de cada indivíduo que construiremos uma sociedade verdadeiramente inclusiva e acolhedora.
CAPACITISMO VS LIBERDADE
Quando as pessoas tratam alguém mal por causa de uma deficiência, isso é muito injusto. Isso se chama capacitismo. O capacitismo impede que essas pessoas tenham as mesmas chances que os outros e faz com que se sintam excluídas.
Ser realmente livre significa que todo mundo tem as mesmas oportunidades e que todos devem ser respeitados. Mas quando alguém é tratado como menos importante por ter uma deficiência, essa liberdade não existe de verdade. Para termos um mundo justo, precisamos lutar contra qualquer tipo de preconceito, como o capacitismo, e garantir que todos sejam respeitados e tenham as mesmas chances.
Somos seres que vivem em grupo, como macacos em uma floresta. Precisamos uns dos outros para viver bem. Sozinhos, não conseguimos plantar comida, construir casas ou fazer tudo o que precisamos. Por isso, devemos ajudar e respeitar uns aos outros.
Ao longo da história, algumas sociedades escolheram organizar essa convivência de forma errada, como na escravidão. Nesse sistema cruel, algumas pessoas eram forçadas a trabalhar para outras sem ter direitos. Isso aconteceu na Grécia Antiga e em muitas outras épocas.
Mas existe um jeito melhor e mais justo de viver juntos: a democracia e a cooperação. Nelas, todo mundo tem voz, pode participar das decisões e tem chances iguais de viver bem. Uma sociedade justa funciona como um grande time, onde cada um faz sua parte e todos se ajudam.
Por isso, respeitar a liberdade e a dignidade de todas as pessoas, independente de suas diferenças, é muito importante. Assim, criamos um mundo onde todos podem crescer e ser felizes juntos.
CARACTERÍSTICAS DO CAPACITISTA
Uma pessoa capacitista em relação ao autismo, outras neurodivergências e deficiência física pode manifestar várias características, que refletem preconceitos e estereótipos enraizados na sociedade. Aqui estão algumas das principais características de uma pessoa capacitista nesse contexto:
Ignorância e falta de compreensão
Pessoas capacitistas frequentemente têm uma compreensão limitada ou incorreta das condições neurodivergentes e deficiências físicas. Isso pode levar a crenças errôneas sobre as capacidades e necessidades das pessoas afetadas.
Pensamento hierárquico
Existe uma tendência a ver as pessoas neurodivergentes e com deficiências físicas como inferiores ou menos capazes do que as pessoas neurotípicas ou sem deficiência. Isso pode se manifestar em tratamento condescendente ou infantilizante.
Estigmatização e discriminação
Pessoas capacitistas podem estigmatizar e discriminar indivíduos com base em suas diferenças neurológicas ou físicas, perpetuando atitudes negativas e criando barreiras para a inclusão e participação social plena.
Expectativas irrealistas ou limitadas
Podem ter expectativas irrealistas sobre o que uma pessoa neurodivergente ou com deficiência física é capaz de realizar, subestimando suas habilidades e potencial. Ao mesmo tempo, podem impor limitações arbitrárias baseadas em preconceitos.
Falta de empatia e compaixão
Capacitismo muitas vezes está associado à falta de empatia e compaixão em relação às dificuldades e desafios enfrentados por pessoas neurodivergentes e com deficiências físicas. Isso pode resultar em tratamento insensível ou indiferente.
Pensamento paternalista
Há uma tendência de assumir que as pessoas neurodivergentes ou com deficiência física precisam ser "cuidadas" ou "protegidas", sem considerar suas próprias necessidades, desejos e capacidades individuais.
Foco na normalização
Pessoas capacitistas podem enfatizar a necessidade de que indivíduos neurodivergentes ou com deficiência física se ajustem aos padrões considerados "normais" pela sociedade dominante, em vez de valorizar a diversidade e as diferentes formas de ser e de se comunicar.
Atitudes de piedade ou heroísmo
Em alguns casos, há uma idealização de pessoas neurodivergentes ou com deficiência física como "heróis" por superarem desafios percebidos, o que pode desumanizar suas experiências e desvalorizar suas contribuições cotidianas.
Combatendo o capacitismo envolve educação, conscientização e promover uma cultura de respeito, inclusão e valorização da diversidade neurodivergente e física. É crucial desafiar estereótipos prejudiciais e trabalhar para construir sociedades mais justas e acessíveis para todos.
EXEMPLOS DE COMPORTAMENTO CAPACITISTA
Aqui estão alguns exemplos concretos de situações comuns onde comportamentos capacitistas podem ser observados em relação a pessoas com autismo, outras neurodivergências e deficiências físicas:
Tratamento infantilizante
Um professor fala com um aluno autista como se ele fosse muito mais jovem do que sua idade cronológica, usando linguagem simplificada e excluindo-o de atividades mais avançadas com base em pressuposições sobre suas habilidades.
Acessibilidade ignorada
Uma empresa organiza um evento e não considera a acessibilidade para pessoas com deficiência física, como a falta de rampas de acesso, banheiros adequados ou sinalização em braile, assumindo que essas necessidades não são importantes ou relevantes.
Estigmatização no local de trabalho
Um colega de trabalho faz comentários depreciativos sobre as habilidades de um colega autista, sugerindo que ele não é capaz de realizar determinadas tarefas complexas, mesmo que ele tenha demonstrado competência anteriormente.
Assunções sobre preferências de comunicação
Um médico presume que uma pessoa não verbal com autismo não pode compreender informações médicas importantes, falando apenas com acompanhantes ou cuidadores em vez de diretamente com o paciente, sem considerar suas capacidades de compreensão.
Desconsideração de necessidades sensoriais
Em um ambiente escolar, uma criança com sensibilidades sensoriais devido ao autismo é forçada a participar de atividades barulhentas ou com luzes fortes e brilhantes sem alternativas razoáveis ou ajustes que respeitem suas necessidades individuais.
Preconceito em entrevistas de emprego
Um recrutador exclui candidatos com deficiência física de uma seleção para uma posição com base em estereótipos sobre suas capacidades de desempenho no trabalho, sem considerar suas qualificações ou experiências relevantes.
Comportamento paternalista
Um familiar de uma pessoa neurodivergente ou com deficiência física toma decisões importantes em seu nome sem consultá-la, assumindo que sabe o que é melhor para ela com base em suas próprias percepções limitadas da situação.
Assumir incapacidade sem perguntar
Um grupo de amigos planeja uma atividade social e não convida um amigo com autismo, presumindo que ele não teria interesse ou capacidade de participar, sem realmente perguntar ou discutir suas preferências.
Esses exemplos ilustram como atitudes capacitistas podem se manifestar em diferentes aspectos da vida diária, prejudicando a inclusão, o respeito pelos direitos individuais e a igualdade de oportunidades para pessoas com autismo, outras neurodivergências e deficiências físicas. É fundamental desafiar esses comportamentos e promover uma cultura de aceitação, acessibilidade e valorização da diversidade. Aqui estão alguns exemplos de diálogos que podem refletir atitudes capacitistas em relação a pessoas com autismo, outras neurodivergências e deficiências físicas:
1. **Diálogo 1 - Estigmatização no Ambiente de Trabalho:**
**Colega A:** "Sabe, eu não entendo por que eles contrataram o John. Ele é autista, não sei como ele vai conseguir acompanhar o ritmo aqui."
**Colega B:** "Bem, acho que a empresa quer parecer inclusiva, mas duvido que ele consiga realmente contribuir de maneira significativa."
**Diálogo 2 - Presunção de Incapacidade:**
**Médico:** "Como você se sente hoje, Sr. Silva?"
**Paciente com deficiência física:** "Estou bem, obrigado."
**Médico (falando para o acompanhante):** "Ele consegue entender o que estou dizendo? Quero ter certeza de que ele está ciente de suas opções de tratamento."
**Diálogo 3 - Paternalismo Familiar:**
**Mãe:** "Eu sei que ela quer tentar morar sozinha, mas com todas as suas dificuldades, não acho que seja seguro. Vamos decidir por ela."
**Pai:** "Sim, é melhor manter ela sob nossa supervisão. Ela não conseguiria lidar com todas essas responsabilidades sozinha."
**Diálogo 4 - Exclusão Baseada em Estereótipos:**
**Amigo A:** "Vamos todos para a festa no sábado!"
**Amigo B:** "E o Tom?"
**Amigo A:** "Acho que ele não vai querer ir. Você sabe como ele é, sempre fica na dele."
**Amigo B:** "Mas você já perguntou? Talvez ele queira, só não sabe como dizer."
**Diálogo 5 - Subestimação das Capacidades:**
**Professor:** "Vamos fazer um projeto em grupo. Sarah, você pode ajudar o Kevin com isso? Ele tem autismo, então provavelmente vai precisar de orientação extra."
**Sarah:** "Claro, professor. Mas acho que o Kevin pode fazer mais do que você pensa. Ele é realmente bom em matemática."
Esses diálogos ilustram como atitudes capacitistas podem se manifestar em conversas cotidianas, refletindo preconceitos, estereótipos e falta de compreensão em relação às capacidades e desejos individuais de pessoas com autismo, outras neurodivergências e deficiências físicas. É importante estar ciente desses comportamentos para promover uma comunicação mais inclusiva, respeitosa e empática.


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