P. Ilustração: Fanart

ADORO FANART 

Eu descobri que adoro desenhar Fanart porque isso me permite explorar a minha criatividade dentro de um universo que já amo. É uma forma de expressão artística que combina a minha paixão por histórias e personagens com a minha necessidade de praticar e evoluir no desenho.

Sinto que eu me conecto com certos personagens e histórias, e desenhar Fanart é uma forma de expressar essa conexão e até reinterpretar esses personagens de acordo com a minha visão deles. 

Além disso, fazer Fanart me ajuda muito a praticar o meu estilo cartum desenhando anatomia, poses, expressões e estilos diferentes sem precisar inventar tudo do zero. E desenhar personagens existentes dá a liberdade de modificá-los, criando versões alternativas, roupas novas ou até histórias inéditas (como em fanfics ilustradas).

Como Fanart tem um público grande e engajado, o reconhecimento vem mais rápido do que ao criar algo 100% original. Isso gera motivação para continuar desenhando. Aliás, uma das coisas que mais curto no mundo da Fanart é que é altamente interativo. Ao compartilhar desenhos no TikTok ou em outras redes, eu troco ideias, recebo feedback e faço parte de um grupo que tem os mesmos interesses.

E muitos artistas começam com Fanart e, ao longo do tempo, desenvolvem seu próprio estilo e criam personagens e histórias autorais. No meu caso, como eu quero aprimorar habilidades de ilustração e narrativa, a Fanart se mostrou uma maneira natural de estudar composição, cores e estilos, enquanto me divirto e construo um portfólio. Aos poucos vim desenvolvendo técnica, identidade artística e autoconfiança no desenho. Isso é ótimo, porque a melhor maneira de aprender é se divertindo com o processo, não é mesmo?


FANART & FANDOM

Eu aprendi em minhas pesquisas e leituras que a Fanart é uma das principais formas de participação no fandom. Fandom é a comunidade de fãs que se envolve ativamente com uma obra, e dentro desse espaço, a Fanart é um dos muitos jeitos de demonstrar amor por um universo ficcional.

Dentro do fandom, além da Fanart, existem várias outras formas de expressão criativa, como:

Fanfic (histórias escritas pelos fãs)

Edits (montagens e vídeos com personagens)

Cosplay (se vestir como personagens)

Teorias e análises (discussões aprofundadas sobre a obra)

Memes e paródias (interpretações humorísticas)

Ou seja, toda Fanart faz parte do fandom, mas nem todo fã faz Fanart. Algumas pessoas participam só lendo teorias, assistindo vídeos ou interagindo com outros fãs. 

Eu e o meu irmão Davi, por desenharmos Fanart e escrevermos análises, não estamos apenas apreciando a obra passivamente, nós estamos criando algo novo dentro do fandom e interagindo com ele ativamente. Isso fortalece o nosso senso de comunidade e pertencimento, além de nos ajudar a desenvolver habilidades criativas.


FANART & REMIX

A ideia por trás da Fanart — reinterpretar e recriar obras ou personagens populares — existe desde que a cultura existe. Se a gente olhar com uma lente moderna, sim, os gregos que pintavam vasos com cenas dos mitos, por exemplo, estavam, de certa forma, fazendo "fanart" dos deuses e heróis que admiravam. O mesmo vale para os copistas medievais que ilustravam histórias do Rei Arthur, ou até para os artistas do Renascimento, que recriavam figuras mitológicas e bíblicas em estilos próprios.

Porém, o termo Fanart como entendemos hoje surgiu com a cultura dos fanzines e das convenções de fãs no século XX, principalmente em torno da ficção científica e dos quadrinhos. Os primeiros registros do uso da palavra "Fanart" vêm das décadas de 1960 e 1970, quando fãs de Star Trek, Marvel e mangás começaram a produzir e distribuir suas próprias ilustrações de personagens conhecidos.

Essa dinâmica se enquadra no que chamamos de Remix cultural, que é o processo de recombinar elementos de uma obra pré-existente para criar algo novo, carregado de sentidos inéditos. Assim como um DJ remixa uma música, artistas de fanart e escritores de fanfiction decompõem personagens, enredos e universos para reconstruí-los de maneira criativa. 

Eu achei incrível esse documentário porque me mostrou como Fanarts e Fanfics não são só homenagens ao material original, mas também formas de transformação e crítica.

Um exemplo : Harley Quinn em contextos góticos. A Harley Quinn surgiu nos quadrinhos da DC como a parceira do Coringa, com um visual de arlequina. Com o tempo, os fãs começaram a reinterpretá-la, desenhando-a em estilos diferentes, como gótico, cyberpunk, steampunk etc.

Isso não é só estética — cada versão pode mudar algo na personagem. Uma Harley Quinn gótica, por exemplo, pode ser retratada como mais independente, sombria ou introspectiva, questionando sua relação abusiva com o Coringa e destacando um lado mais sombrio da sua psique.

Outro exemplo, "Drarry" (Harry Potter e Draco Malfoy). No universo oficial de Harry Potter, Harry e Draco são rivais, e não há nenhuma sugestão de um romance entre eles. Mas muitos fãs perceberam uma dinâmica intensa entre os personagens e começaram a escrever Fanfics Drarry, imaginando um relacionamento amoroso entre os dois.

Isso desafia a narrativa original, porque introduz uma possibilidade que J.K. Rowling não explorou. Além disso, Drarry e outros "ships" (relacionamentos criados pelos fãs) muitas vezes representam perspectivas marginalizadas, como histórias LGBTQ+, que são pouco abordadas na obra original.

O que isso significa?

Expansão do universo – Os fãs não apenas consomem, mas criam novos significados para os personagens.

Crítica e transformação – Muitas Fanarts e Fanfics questionam as decisões do autor original e exploram temas como empoderamento feminino, diversidade e representatividade.

Narrativas alternativas – O que antes era fixo (um personagem tem uma única aparência ou um único destino) se torna maleável, dependendo do olhar de cada fã.

Ou seja, Fanarts e Fanfics não são só cópias — elas reinterpretam, reinventam e até desafiam a visão original da obra. É uma forma de os fãs tomarem o controle da história e explorarem as ideias que mais ressoam com eles.


O QUE SIGNIFICA SER FÃ PRA MIM?


Ser fã, para mim, vai muito além de apenas gostar de algo. Não é só consumir uma história, uma música ou um jogo — é me conectar de verdade com aquilo, a ponto de querer fazer parte desse universo de alguma forma. Fandom é um espaço de criação, de troca e de inspiração.


Desde que me entendo por gente, desenhar é a minha forma de interagir com as histórias que amo. Quando um personagem ou uma cena me marca, minha reação natural é pegar o lápis e transformar aquilo em fanart. Não é só copiar um traço ou reproduzir um momento icônico, mas reinterpretá-lo à minha maneira, explorando cores, estilos e composições que refletem meu olhar sobre aquela obra. No TikTok, compartilho esse processo, seguindo trends, criando speeddrawings e usando carrosséis para dialogar com outros fãs. Também organizo minhas ilustrações em um álbum no Google Photos, como um registro da minha evolução artística.


Mas minha relação com o fandom não para por aí. Além de desenhar, gosto de escrever análises sobre músicas, histórias em quadrinhos, séries e videogames. Meu irmão Davi e eu estudamos narratologia juntos, e isso me ajudou a entender melhor como as histórias são construídas. Escrever sobre elas me faz apreciá-las ainda mais e enxergar detalhes que talvez passassem despercebidos se eu apenas assistisse ou jogasse.


Foi essa paixão pela arte e pelo fandom que me levou a criar a @ninhatendaencantada, uma marca onde posso transformar minhas ilustrações em algo que outras pessoas possam ter e apreciar. Minha ideia é vender prints via Etsy e Printify, tornando esse projeto meu Capstone Project para o High School na Clonlara.


Para mim, ser fã não é só admirar — é recriar, reinterpretar e compartilhar. É transformar aquilo que amo em algo novo e, ao mesmo tempo, encontrar outras pessoas que sentem o mesmo. Porque no fim das contas, fandom é isso: um espaço onde a paixão vira arte e onde histórias deixam de ser só histórias e passam a ser parte de quem somos.


COMO ESTOU EXPLORANDO A FANART ...


Eu estou buscando aprofundar a relação entre a Fanart e a estética dos fãs, explorando os seguintes aspectos:


1. Estilos Visuais dos Fandoms

Cada fandom tem uma estética própria, influenciada pelo estilo do material original e pela cultura dos fãs. Então, algumas ideias que estou exercitando:

Comparar o estilo oficial do personagem com as variações mais populares dentro do fandom.

Testar diferentes estilos inspirados em tendências fanartísticas (exemplo: chibi, dark academia, vaporwave, etc.).

Criar uma série de ilustrações com uma estética específica de um fandom e explicar as escolhas aqui no blog.


2. Mídia e Cultura Remix

Explorar como os fãs remixam personagens em contextos diferentes (exemplo: redesign de personagens em estilos de anime, cartoon ou pixel art).

Fazer mashups entre personagens de diferentes universos e explicar a conexão entre eles.

Criar versões alternativas baseadas em headcanons populares do fandom.


3. Teoria Fandom e Fanart

Relacionar o conceito de "Transformative Work" (trabalho transformativo) com a fanart que eu faço.

Analisar a relação entre os traços visuais que os fãs escolhem destacar e a forma como eu percebo o personagem.

Escrever sobre o papel da fanart na criação de comunidade dentro dos fandoms.


4. Engajamento com a Comunidade

Participar de desafios ou trends de fanart dentro do fandom, inclusive tenho feito convites aos meus colegas da Clonlara School para se engajarem porque é um universo tão maneiro. Eu postei aqui no blog sobre as trends!

Criar ilustrações que reflitam debates dentro do fandom (exemplo: interpretações alternativas de personagens subestimados).

Fazer collabs com outros artistas fãs, mostrando diferentes visões sobre o mesmo personagem.

Nem tudo vai render conteúdo para o meu TikTok e para esse blog, mas com isso, vou exercitar ilustrar, além de enriquecer o meu entendimento sobre a cultura dos fãs.

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