P. Videogames: Dinâmicas Familiares e Parentalidade no The Sims 4

No universo do The Sims 4, os jogadores têm a oportunidade de criar e gerenciar uma variedade de famílias virtuais, cada uma com suas próprias dinâmicas familiares únicas. Esta faceta do jogo oferece uma plataforma rica para explorar conceitos relacionados à família e parentalidade, proporcionando insights sobre questões como papéis de gênero, responsabilidades parentais e o impacto da estrutura familiar no desenvolvimento dos Sims.

Ao criar famílias no jogo, eu pude experimentar e analisar diferentes tipos de famílias, como famílias nucleares tradicionais, famílias monoparentais, famílias extensas com múltiplas gerações sob o mesmo teto, casais do mesmo sexo com filhos adotivos, entre outros arranjos familiares. Essa diversidade reflete as muitas formas que as famílias podem assumir na vida real, me permitindo explorar e compreender melhor a variedade de experiências familiares que existem.

Uma das discussões importantes que surgiu ao explorar essas dinâmicas familiares é a questão dos papéis de gênero. Os Sims têm a liberdade de desafiar as normas tradicionais de gênero, permitindo que os jogadores criem famílias onde os papéis parentais são compartilhados de forma mais igualitária. Isso me levou a conversas com meus pais sobre como os papéis de gênero são construídos socialmente, como eles evoluíram ao longo do tempo e como as famílias podem desafiar ou reproduzir essas normas de gênero.

Além disso, o jogo também ofereceu uma oportunidade para explorar questões relacionadas à responsabilidade parental. Como jogadora, eu sou encarregada de garantir o bem-estar e o desenvolvimento dos membros da família virtual que eu criei no jogo, o que envolveu tomar decisões sobre educação, saúde, lazer e carreira. Isso levou a discussões sobre os desafios e responsabilidades associados à parentalidade, incluindo o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, a importância do apoio emocional e financeiro e as diferentes abordagens de disciplina para colocar as regras da casa.

Outro aspecto interessante de explorar foi que as diferentes estruturas familiares no The Sims 4 influenciaram o desenvolvimento dos Sims de maneiras significativas. Por exemplo, Sims que cresceram em famílias estáveis e solidárias puderam desenvolver habilidades sociais e emocionais mais fortes, enquanto Sims que enfrentam instabilidade familiar tiveram que enfrentar desafios adicionais em seu desenvolvimento. Isso estimulou discussões sobre a importância do apoio familiar, a influência dos modelos parentais e as consequências de disfunções familiares.

Ao explorar as dinâmicas familiares e a parentalidade no The Sims 4, eu pude ganhar uma compreensão mais profunda das complexidades das relações familiares e das responsabilidades associadas à criação de uma família. Eu inclusive pude aplicar esses insights não apenas ao jogo, mas também à minha própria vida e às famílias ao meu redor, desenvolvendo uma apreciação mais ampla das diversas experiências familiares que existem no mundo.


AS DIFERENTES FAMÍLIAS

A seguir eu falo das várias histórias que eu criei com a minha mãe, e cada uma com um tipo de dinâmica familiar, e foi legal perceber como cada uma era única:


1. Família de Apoio e Cuidado

Nessa família, fiz todos os membros super preocupados uns com os outros. Eles sempre se ajudavam, como quando a mãe ajudava os filhos com a lição de casa ou quando todos iam assistir TV juntos depois do jantar. Tinha um clima de carinho e união na casa, mas às vezes parecia que os filhos ficavam meio dependentes dos pais e não faziam nada sozinhos.


2. Família de Superação e Resiliência

Montei uma família que tinha perdido a casa num incêndio (tem um truque pra isso no jogo!). Eles começaram do zero, mas, aos poucos, foram reconstruindo tudo. Era uma família bem unida, e sempre se apoiavam quando algum deles ficava triste. Porém, eles estavam sempre preocupados em serem fortes e esconderem os sentimentos, o que deixou tudo meio tenso às vezes.


3. Família de Sucesso e Realização

Nessa família, coloquei todo mundo super focado em ser bem-sucedido. Um dos Sims queria ser um astronauta, enquanto a filha se dedicava pra ser a melhor estudante. Quando eles atingiam as metas, a casa inteira comemorava. Só que, ao mesmo tempo, eles se cobravam demais, e eu percebia que ficavam ansiosos e tensos quando não conseguiam alcançar algo.


4. Família de Tradição e Legado

Essa família era super tradicional. Eles sempre faziam as mesmas atividades em datas especiais e tinham muita coisa antiga em casa, tipo quadros e mobília de herança. Gostei de ver como todos respeitavam os costumes, mas, ao mesmo tempo, os mais novos da família pareciam meio sufocados com tanta tradição e queriam ter a própria identidade.


5. Família de Independência e Autossuficiência

Fiz uma família onde cada um cuidava do próprio nariz. Eles eram bem livres e cada um tinha o próprio espaço, até quartos separados. Foi interessante ver como cada um se desenvolvia sozinho, mas às vezes eles pareciam mais colegas de quarto do que uma família de verdade, porque faltava aquele sentimento de união.


6. Família de Sacrifício e Devoção

Essa foi a família onde a mãe sempre colocava todo mundo em primeiro lugar e fazia tudo por eles. Ela cozinhava, limpava e estava sempre ali pra ajudar. No entanto, parecia que ela acabava se cansando, e os outros não percebiam o quanto ela estava se sacrificando. Me fez pensar como é importante reconhecer o esforço dos outros.


7. Família de Exploração e Aventura

Essa família era totalmente aventureira. Eles estavam sempre viajando, acampando e descobrindo novos lugares na cidade. Adorei a vibe de liberdade, mas com o tempo alguns deles começaram a sentir falta de uma rotina e de um lugar pra chamar de lar. Foi interessante ver como a busca constante por novidade também pode ter um lado negativo.


8. Família de Conflito e Reconciliação

Criei uma família onde os membros estavam sempre discutindo. Mas, depois de cada briga, eles conversavam e se reconciliavam. Foi meio cansativo ver tanta briga, mas ao mesmo tempo eles sempre acabavam se entendendo e voltando a se apoiar. Mostrou que, mesmo com desentendimentos, uma família pode continuar unida.


9. Família de Proteção e Segurança

Por último, fiz uma família onde os pais eram super protetores. Eles cuidavam de tudo e estavam sempre preocupados com a segurança dos filhos. Os filhos se sentiam seguros, mas às vezes parecia que eles não podiam fazer nada sozinhos. Foi legal ver o lado bom e o lado ruim de tanto cuidado.


CONCLUINDO, achei muito legal experimentar esses diferentes tipos de famílias no The Sims 4, porque cada uma tinha suas próprias características, com pontos positivos e negativos. Isso me ajudou a entender como as dinâmicas familiares podem ser variadas e como cada família tem seu jeitinho único de lidar com as coisas.


Os meus pais compartilharam alguns trechos de Eva Illouz e Norbert Elias destacando como as experiências individuais e os afetos são moldados por instituições, normas culturais e hierarquias sociais. Esses processos influenciam diretamente a construção das identidades e dos papéis familiares e de gênero. Para entender o repertório atual de narrativas sobre essas identidades e papéis, é preciso considerar as transformações sociais recentes, como as discussões sobre gênero, a redefinição das estruturas familiares e as críticas aos modelos tradicionais. Eu pedi a ajuda do DeepSeek para explorarmos cada uma delas:


 1. Identidade Familiar Contemporânea  

A família, como instituição, já não segue um modelo único (paimãefilhos). Hoje, coexistem múltiplas narrativas:  

 Família nuclear tradicional: Ainda presente, mas cada vez mais questionada como "norma".  

 Famílias monoparentais: Lideradas majoritariamente por mulheres, muitas vezes associadas a narrativas de "resiliência" e "superação".  

 Famílias reconstituídas: Com filhos de relacionamentos anteriores, exigindo negociações afetivas complexas.  

 Famílias homoafetivas: Desafiam a heteronormatividade e redefinem os papéis de "pai" e "mãe".  

 Famílias escolhidas (afetivas): Valorizam laços não sanguíneos, como amigos que assumem funções familiares.  

Norbert Elias lembra que o indivíduo não "escolhe" totalmente essas estruturas, mas as internaliza e reproduz, mesmo quando as critica. 


 2. Identidades de Gênero e Papéis Sociais  

Eva Illouz mostra como os afetos são organizados hierarquicamente para sustentar papéis de gênero. Hoje, porém, essas narrativas estão em disputa:  


 Mulher/Mãe/Esposa  

 Narrativa tradicional: Associada ao cuidado, abnegação e responsabilidade emocional (a "mulher bondosa e compassiva" de Illouz).  

 Narrativas emergentes:  

   A mulher independente (priorizando carreira ou autonomia).  

   A mãe que não se sacrifica (questionando o "instinto materno" como obrigação).  

   A crítica à "dupla jornada" (trabalho + cuidado doméstico).  


 Homem/Pai/Marido  

 Narrativa tradicional: Provedor racional, com afetos contidos (a "frieza masculina" de Illouz).  

 Narrativas emergentes:  

   O pai presente (envolvido emocionalmente e nos cuidados).  

   A masculinidade vulnerável (permitindo demonstrar fragilidade).  

   A crise do "homem tradicional" (questionando seu lugar em um mundo com mulheres mais independentes).  


 Menina e Menino  

 Narrativas tradicionais: Meninas como "delicadas e emotivas"; meninos como "ativos e racionais".  

 Narrativas emergentes:  

   A desconstrução de brinquedos e cores de gênero (ex.: meninos podem brincar de casinha).  

   A discussão sobre identidade de gênero (crianças nãobinárias ou trans).  

   A pressão por desempenho: meninas "fortes" e meninos "sensíveis", mas ainda sob expectativas contraditórias.  


 3. Conflitos e Tensões  

 Entre tradição e mudança: Muitas pessoas vivem contradições, como mulheres que querem ser mães dedicadas e bemsucedidas profissionalmente, ou homens que desejam ser vulneráveis, mas temem ser julgados.  

 Institucionalização dos afetos: Como lembra Illouz, hospitais, escolas e leis reforçam certos modelos (ex.: licençamaternidade maior que a paternidade).  

 Hierarquias afetivas: Ainda valorizamos a "racionalidade fria" (masculina) em posições de poder, enquanto o "cuidado" (feminino) é menos valorizado economicamente.  


 4. Norbert Elias e a Individualidade  

Elias mostra que mesmo quando criticamos esses papéis, ainda estamos presos a eles:  

 Um pai que quer ser mais presente pode ser julgado por "não ser provedor suficiente".  

 Uma mulher que não quer filhos enfrenta pressão social.  

 A família, como "tecido social", ainda define os limites do que é aceitável, mesmo em meio a mudanças.  


 Conclusão  

O repertório atual é plural e contraditório: convivem narrativas tradicionais (que ainda exercem forte pressão) com discursos emancipatórios (que questionam hierarquias de gênero e afetivas). As identidades familiares e de gênero estão em transição, mas, como Illouz e Elias mostram, as instituições e a cultura ainda moldam profundamente como vivenciamos esses papéis.  


Comentários