P. Cine&Tela: Uma análise de Adele Blanc Séc



Primeiro de tudo: que personagem incrível! A Adèle é uma jornalista que vive lá pela época de 1910, em Paris, e se mete nas aventuras mais malucas que você pode imaginar — tipo múmia voltando à vida, monstros misteriosos, cientistas malucos, conspirações secretas... Parece que tudo de estranho e sobrenatural acontece perto dela! E o mais legal: ela enfrenta tudo com muita coragem e atitude. Nada de mocinha indefesa — ela resolve as coisas por conta própria e não tem medo de bater de frente com quem estiver atrapalhando.

Enquanto eu lia, percebi que a Adèle representa aquele tipo de personagem que não segue as regras do que esperam das mulheres — ela é independente, esperta e faz o que acredita ser certo. Isso me fez pensar em como, às vezes, o mundo espera que a gente se comporte de um certo jeito, mas a Adèle mostra que dá pra ser diferente.

Também notei que sempre tem vilões muito caricatos ou misteriosos, tipo políticos corruptos, autoridades esquisitas ou até figuras meio assustadoras. E isso me lembrou das histórias que a gente escuta até hoje, onde nem sempre o “inimigo” é um monstro real — às vezes é o sistema, sabe? Tipo o jeito como o poder tenta esconder as coisas.

Além disso, a Paris antiga em que a história se passa é quase um personagem também! As roupas, os carros, os prédios… tudo ajuda a criar um clima de mistério e nostalgia. Mas o mais interessante é que, mesmo sendo do passado, as histórias falam sobre temas que ainda fazem sentido hoje.

Ah! E lendo com um olhar mais analítico (coisa que aprendi estudando com minha mãe), vi que as aventuras seguem um padrão de “começa tudo bem, acontece alguma coisa estranha, ela tenta resolver, rola um superclímax e no fim as coisas se ajeitam (mais ou menos)”. Isso me fez lembrar da teoria do Todorov, que fala desses momentos de equilíbrio, desequilíbrio e reequilíbrio. E se você pensar como o Lévi-Strauss pensava, dá pra ver como essas histórias têm símbolos e mitos escondidos por trás — tipo o medo do desconhecido, a luta do bem contra o mal, e até o papel da mulher em meio a tudo isso.

E tem mais uma coisa: o autor, Jacques Tardi, faz umas coisas bem pós-modernas. Tipo brincar com as próprias histórias, misturar gêneros, fazer piada com os clichês… Tem horas que parece que ele tá zoando os livros de aventura antigos enquanto cria algo superoriginal.

No fim, o que mais me marcou foi perceber que a Adèle não é só uma personagem de HQ. Ela é uma mulher que vive como quer, mesmo num mundo cheio de regras absurdas. E isso me inspira muito.


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