P. Cine&Tela: A Cultura Pop Que Nos Faz Pensar
Eu sempre pensei que filmes são mais do que entretenimento. Eles são uma parte fundamental da cultura pop, e a cultura pop, por sua vez, é um espelho gigantesco e multifacetado de quem somos como sociedade. Ela engloba tudo que tem ampla circulação e ressonância, e os filmes se encaixam perfeitamente nisso.
Eles são produções de massa, feitos para audiências gigantescas, e conseguem influenciar — e ser influenciados por — tudo ao redor. Pense nas franquias da Marvel ou em algo como Barbie (2023), que virou um fenômeno não só pelo filme em si, mas pelas discussões que gerou sobre feminismo e capitalismo.
O que mais me fascina, porém, é como alguns filmes conseguem ir além do entretenimento e nos forçam a questionar o mundo à nossa volta. Mesmo os grandes blockbusters, como Pantera Negra (2018), que levantou debates cruciais sobre afrofuturismo e representação, mostram que a cultura pop pode ter um potencial crítico enorme.
O Cinema Como Catalisador de Emoções e Ideias
Nem todo filme é "cultura pop" no sentido mais amplo. Filmes de arte ou documentários densos podem ter um alcance mais restrito. A cultura pop privilegia o que é acessível e comercial, mas isso não significa que ela seja rasa. Pelo contrário, quando funciona bem, ela pode ser uma ferramenta poderosa de mudança.
Eu, por exemplo, fiquei pensando por dias em alguns filmes que vi recentemente. Eles não só me tocaram, mas também me fizeram repensar a realidade. Não como meros reflexos, mas como catalisadores que moldam a nossa forma de pensar e sentir.
Assistir a esses filmes com meus pais e refletir sobre eles foi uma experiência poderosa. Essa lista em particular é incrível porque toca em pontos muito diferentes, mas que se conectam em questões de pertencimento, preconceito, identidade e classe social. É a cultura pop sendo usada para fazer o que faz de melhor: nos forçar a olhar para o mundo e para nós mesmos de forma diferente.
Vamos a algumas reflexões que cada um desses filmes provocam:
Esse filme é uma bofetada na cara sobre a fragilidade da inocência e a crueldade da socialização. A amizade intensa e sem barreiras entre Léo e Rémi é destruída não por um problema entre eles, mas pela pressão e pelo julgamento externo de outras crianças. A reflexão aqui é sobre a homofobia internalizada e a toxicidade da masculinidade imposta. O que fez Léo se afastar de Rémi? O medo de ser visto como "diferente", de ter sua masculinidade questionada. É um convite a pensar sobre como o preconceito social pode corroer as relações mais puras e como a falta de comunicação e o SILÊNCIO podem ser letais. Como vocês lidam com a pressão de se encaixar em padrões sociais de gênero?
Aqui a reflexão é sobre o ciclo da violência e a ausência do Estado. O filme não romantiza a criminalidade, mas mostra como as escolhas são limitadas e muitas vezes forçadas pela falta de oportunidades. A jornada de Buscapé, que tenta escapar desse ciclo através da fotografia, contrasta com a de Zé Pequeno, que abraça a violência como forma de poder. A grande questão é: quão "livres" são as escolhas de alguém que nasce sem perspectiva, em um ambiente onde a única estrutura de poder é o crime? Como a sociedade (e cada um de nós) contribui para a existência e a perpetuação dessas realidades?
Uma obra-prima sobre a luta de classes e as hipocrisias da sociedade moderna. O filme expõe a crueldade de um sistema que força as pessoas a se humilharem para sobreviver. A família Kim não é má, ela é oportunista. Ela usa as ferramentas que o sistema lhes deu para tentar subir na vida. O filme provoca a reflexão sobre quem são os "parasitas" de verdade: a família pobre que se infiltra na casa dos ricos para ter uma chance, ou o sistema desigual que se alimenta da exploração dos mais vulneráveis? O final, com a família rica chocada e traumatizada, mostra que eles não entendem a profundidade do desespero do outro. A reflexão é sobre a bolha em que vivemos e a incapacidade de ver a humanidade de quem está "abaixo" de nós na pirâmide social.
A reflexão aqui é sobre o primeiro amor, a descoberta da sexualidade e o tempo. O filme não se prende à "homossexualidade" como um problema ou um tabu, mas como uma parte natural da história de amadurecimento de Elio. A dor e a beleza do primeiro amor, a despedida e a certeza de que a experiência o mudou para sempre são universais. A grande reflexão, no entanto, vem com o monólogo final do pai de Elio. Ele não apenas aceita, mas valida o sentimento do filho, encorajando-o a sentir a dor, a não se fechar. É uma lição rara e poderosa sobre a importância de viver plenamente as emoções, sem vergonha, sem medo, e sobre a necessidade de ter apoio e compreensão de quem amamos.
Esses filmes, de formas diferentes, todos falam sobre o que nos torna humanos: nossas conexões, nossas lutas e nossa busca por pertencimento. Eles nos desafiam a sair do nosso lugar de conforto e a questionar nossas próprias certezas. E a beleza é que, como você e seus pais fizeram, a reflexão mais importante não é a que o filme te dá, mas a que ele te provoca a ter.
Não se trata apenas do que o filme diz, mas de como ele nos faz sair da sala de cinema ou do sofá, sentindo-nos perturbados, indignados, ou, no mínimo, mais conscientes. Esse desconforto inicial é o ponto de partida para a mudança.
O cinema tem o poder de humanizar o marginalizado, de desafiar o status quo e de construir pontes entre grupos sociais. Mais do que um artigo ou um discurso, um bom filme nos convida a sentir a injustiça, e é essa experiência emocional que tem o poder de plantar uma semente de mudança em nós.
Qual desses filmes gerou a discussão mais intensa pra você? Compartilha aí nos comentários!
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