P. Cine & Tela: A Onda

Eu vi A Onda com os meus pais e é um daqueles filmes que fazem você ficar com a cabeça fervendo, cheio de perguntas que não te deixam dormir. Pois é. Foi exatamente isso que aconteceu comigo depois de assistir A Onda, um filme alemão que, vou te contar, dá aquele choque de realidade.

Quando dei o play, achei que ia ser só mais um filme sobre escola, alunos meio entediados, aquele papo de professor querendo inovar. Mas, olha... o negócio ficou sério muito rápido.

O filme começa com um professor chamado Rainer que resolve fazer uma experiência com a turma dele pra explicar o que é uma autocracia. Pra quem nunca ouviu essa palavra antes (eu mesmo não sabia!), autocracia é quando uma pessoa só tem todo o poder. Ninguém pode questionar, ninguém pode opinar. Tudo mundo obedece, e quem não concorda... se dá mal.

Aí vem a pergunta que parece bem óbvia — e que, de verdade, eu também já me fiz um monte de vezes: "Mas isso não pode mais acontecer hoje, né? Ditadura? Nazismo? Nunca mais, né?" Pois é. Foi exatamente essa pergunta que os alunos fizeram no filme. E foi aí que o professor resolveu criar um “experimento social” pra mostrar como, sim, isso pode acontecer... e pode acontecer bem mais fácil do que a gente imagina.

Primeiro ele propôs algumas regras bobas: todo mundo tinha que chamar ele de "Senhor Wenger", levantar pra falar, se vestir de branco pra mostrar unidade, essas coisas. E sabe o que é mais louco? No começo, parecia até divertido. A turma ficou mais unida, mais focada, mais organizada. Todo mundo se sentindo parte de algo importante. Parecia uma super equipe.

Mas... rapidinho o negócio descambou. A turma começou a excluir quem não queria participar, a vigiar os colegas, a ameaçar quem questionava. E quando percebi... aquela galera tinha se transformado numa mini-ditadura, dentro da própria escola.

E aí, Davi?! (sim, tô falando comigo mesmo nessa parte, porque foi exatamente isso que pensei):

"Peraí. Se esses alunos, que são como qualquer um de nós, caíram nessa... será que eu também cairia? Será que qualquer pessoa pode, sem perceber, virar parte de um sistema autoritário, só pra se sentir aceito, protegido ou importante?"

O filme me deixou muito desconfortável. E sabe de uma coisa? Acho que essa era exatamente a ideia: fazer pensar. Porque quando a gente acredita que "essas coisas nunca mais vão acontecer", a gente abaixa a guarda. E é aí que o perigo mora. A gente para de prestar atenção nas pequenas coisas:

Quando alguém diz que "a culpa é sempre daquele grupo ali"...

Quando começa a achar que obedecer cegamente é mais fácil do que discutir, perguntar, discordar...

Quando prefere excluir quem é diferente, só pra manter a "ordem"...

O filme A Onda é um baita tapa na cara. Mostra que ninguém é imune. Que o desejo de pertencer, de ser aceito, de fazer parte de algo maior pode ser uma coisa incrível — mas também pode ser muito perigoso se a gente não estiver atento.

No fim, fiquei pensando: "Qual é a minha onda? Quais são as ideias que eu sigo no modo automático, sem nem perceber se fazem sentido? Eu tô sendo livre de verdade... ou só tô repetindo o que todo mundo faz?"

Ah, e para terminar, uma curiosidade: sabe o que deixa tudo ainda mais assustador? Esse filme não é só invenção de roteiro, não. Ele foi inspirado numa história real que aconteceu nos Estados Unidos, em 1967. Um professor chamado Ron Jones, de uma escola na Califórnia, fez um experimento bem parecido com seus alunos pra explicar como funcionava o nazismo. E, pra surpresa (ou susto) dele, em poucos dias a turma já estava seguindo regras rígidas, criando símbolos, excluindo colegas e obedecendo cegamente, exatamente como acontece no filme. O próprio professor ficou tão assustado com o que viu que precisou encerrar o experimento às pressas. Isso tudo ficou conhecido como "The Third Wave" (A Terceira Onda).

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