P. Ilustrações: Visual Activism in the 21st Century

O livro *Visual Activism in the 21st Century* é uma coletânea provocativa que mergulha nas interseções entre arte, política e resistência, explorando como as imagens — estáticas ou em movimento, online ou nas ruas — são armas poderosas na luta por justiça social. Organizado em três partes, o volume traça um panorama diversificado de estratégias visuais empregadas por artistas e ativistas ao redor do mundo, desafiando estruturas de poder e reescrevendo narrativas marginalizadas.  

A primeira parte, A Política da Performance, destaca como corpos e histórias são mobilizados para contestar invisibilidades. De Eve Kalyva, aprendemos que símbolos não são meros adornos, mas ferramentas semióticas que afirmam existências. Jill Gibbon revela a resistência sutil dentro do capitalismo corporativo, enquanto Elsa Gomis expõe as contradições da moda ao abordar crises humanitárias, como a dos refugiados. Jeremy Deller, através da reconstituição da Batalha de Orgreave, e Rajkamal Kahlon, com sua arte que confronta arquivos coloniais, mostram como o passado é reencenado para curar ou incitar revolta. Já Sasha Huber, com sua pistola de pregos, literalmente crava no espaço público as feridas da colonialidade.  

Na segunda parte, Lugares de Protesto, o foco se volta para o espaço público como palco de disputa. A mudez visível de protestos como o ato de costurar os lábios é analisada por Ochs e Werner como um grito silencioso contra a opressão. Na China, Monica Merlin descreve como artistas feministas criam ondulações sutis em águas represadas, enquanto Tatyana Fazlalizadeh nos EUA desafia o nacionalismo branco com retratos que afirmam: *"A América é Negra, Indígena e Muçulmana"*. Farida Batool, no Paquistão, e Jason DeCaires Taylor, com suas esculturas subaquáticas, ampliam o conceito de ativismo — um combatendo invisibilidades sociais, o outro, a violência lenta contra o meio ambiente. Darcy White fecha essa seção lembrando que o humor e o carnavalesco podem ser escudos contra a repressão.  

Por fim, Conectividade Online explora o digital como território de insurgência. O canal tunisiano AnarChnowa, estudado por Marianna Liosi, virou arma na revolução de 2011, misturando montagem e vídeos amadores. Stefka Hristova alerta para os dilemas da vigilância e da autoapresentação no ativismo digital, enquanto Sugandha Sehgal celebra como o tabu da menstruação é rompido na Índia através de imagens. Vendela Grundell Gachoud encerra com o glitch estético do Instagram, onde falhas técnicas e corpos dissidentes viram manifestos.  

Visual Activism in the 21st Century não é apenas um livro sobre arte engajada; é um mapa de táticas criativas que revelam como o visual — seja na rua, na tela ou no corpo — é um campo de batalha. Cada capítulo ecoa a mesma pergunta: como transformar a imagem em ação? As respostas, aqui, são tão diversas quanto urgentes, mostrando que, em um mundo saturado de representações, resistir também é um ato de reimaginar.


Compartilhando a leitura com Ana e Davi 

O livro Visual Activism in the 21st Century foi uma ferramenta poderosa para enriquecer os planos de estudo da Ana e do Davi, especialmente porque a gente deseja que eles desenvolvam um pensamento crítico sobre arte, sociedade e justiça social. Aqui estão algumas formas que incorporamos as reflexões do livro na aprendizagem deles, adaptando conforme os interesses de cada um:  


 1. Despertar a Consciência Social e Política  

Os capítulos discutem temas como colonialismo, feminismo, crise dos refugiados e ambientalismo, mostrando como a arte pode ser um meio de denúncia e transformação. A gente pode:  

- Discutir um tema por mês (ex.: "Como a arte combate o racismo?" com o capítulo da Tatyana Fazlalizadeh).  

- Pesquisamos artistas locais que façam trabalho semelhante e comparar com os estudos do livro. E encontramos :

Rosana Paulino: Uma das artistas mais influentes do Brasil, suas obras investigam a condição da mulher negra e os impactos do racismo e da escravidão na sociedade brasileira. Ela usa técnicas como a gravura e a instalação para dar visibilidade a narrativas apagadas e questionar estereótipos.

Aline Motta: Seu trabalho, que abrange fotografia, vídeo e instalação, busca resgatar e reconstruir as histórias de sua família e ancestralidade. Ela reflete sobre a violência e a invisibilidade da população negra, destacando a importância da memória e do pertencimento.

Panmela Castro (Anarkia Boladona): Conhecida por seus grafites, Panmela usa a arte urbana para discutir a violência policial, o racismo e o direito das mulheres. Seu trabalho é uma forma de protesto público e de ocupação de espaços, similar ao ativismo visual de Tatyana Fazlalizadeh em relação à apropriação do espaço público.

Arjan Martins: O artista carioca se concentra na Diáspora Africana e nas migrações afro-atlânticas, utilizando a cartografia e elementos náuticos em suas pinturas para recontar a história do período colonial de uma perspectiva negra, contestando narrativas eurocêntricas.

Helô Sanvoy: Suas obras, que incluem desenho, performance e fotografia, denunciam o racismo e a violência na sociedade, muitas vezes usando o humor e a ironia para desestabilizar discursos de ódio.


 2. Estimular a Criatividade e a Expressão Artística  

O livro mostra que o ativismo visual vai além de cartazes — inclui performance, escultura, glitch art e até moda. Isso pode inspirar a Ana e o Davi a:  

- Fazer projetos artísticos engajados, como colagens sobre um tema que importa a eles, como o desmatamento, sem o compromisso de publicar nas redes sociais, apenas como um exercício de reflexão.    


 3. Trabalhar Multidisciplinaridade  

O livro conecta arte com história, geopolítica, sociologia e ecologia. Deu para:  

- Relacionar com aulas de História: comparar a reconstituição da Batalha de Orgreave (cap. 4) com estudos sobre movimentos trabalhistas.  

- Discutir Ciências Ambientais: explorar como as esculturas submersas de Jason DeCaires Taylor (cap. 11) dialogam com a degradação dos oceanos.  

- Refletir sobre Linguagem e Comunicação: analisar como símbolos (cap. 1) e gestos (como costurar os lábios, cap. 7) transmitem mensagens sem palavras.  


 4. Desenvolver Pensamento Crítico sobre Mídia e Tecnologia  

Os capítulos sobre ativismo digital (como o 13 e 16) ajudaram a Ana e o Davi a:  

- Questionar como as redes sociais moldam protestos (ex.: "O TikTok pode ser uma ferramenta de mudança?").  


 5. Aproximar de Realidades Globais e Locais  

O livro traz exemplos do Paquistão, Tunísia, China, EUA etc. A gente pode:  

- Mapear conflitos locais que poderiam ser retratados através de arte, como por ex.: grafite em favelas, protestos indígenas.  


Resumo de cada capítulo

Parte Um: A Política da Performance: Agir / Reencenar e histórias alternativas

Capítulo 1: Making Sense and Claiming a Presence: The social semiotics of visual activism (Fazer Sentido e Reivindicar uma Presença: A semiótica social do ativismo visual): Este capítulo, de Eve Kalyva, explora a semiótica social do ativismo visual, examinando como as imagens e os símbolos são usados para criar significado e reivindicar presença.

Capítulo 2: A Total Performance: Invisibility, respectability and resistance in corporate capitalism (Uma Performance Total: Invisibilidade, respeitabilidade e resistência no capitalismo corporativo): Jill Gibbon discute o papel da invisibilidade e da respeitabilidade como formas de resistência dentro do capitalismo corporativo.

Capítulo 3: By a Thread: The space left to activism when fashion deals with the refugee 'crisis' (Por um Fio: O espaço que sobra para o ativismo quando a moda lida com a 'crise' dos refugiados): Escrito por Elsa Gomis, o capítulo analisa como o ativismo opera no espaço complexo onde a indústria da moda aborda a crise de refugiados, e a forma como a arte pode se tornar mercadoria e a mercadoria, arte.  

Capítulo 4: Digging Up the Left-Wing Corpse? Visual activism and melancholia in Jeremy Deller's, The Battle of Orgreave (Desenterrando o Cadáver de Esquerda? Ativismo visual e melancolia em 'The Battle of Orgreave' de Jeremy Deller): Stephanie Hartle investiga o ativismo visual através da reconstituição histórica da Batalha de Orgreave por Jeremy Deller, explorando a relação entre memória e apropriação histórica.  

Capítulo 5: Imperialism, Empathy and Healing in Rajkamal Kahlon's Artistic Activism (Imperialismo, Empatia e Cura no Ativismo Artístico de Rajkamal Kahlon): Margaret Tali examina o trabalho de Rajkamal Kahlon e como sua arte lida com a empatia e a cura em relação a histórias traumáticas e arquivos coloniais.  

Capítulo 6: Shooting Back / Speaking Forward: Decolonial strategies in the work of Sasha Huber (Atirar de Volta / Falar para a Frente: Estratégias descoloniais no trabalho de Sasha Huber): Temi Odumosu e Sasha Huber analisam as estratégias descoloniais nas obras de Sasha Huber, que utiliza uma pistola de pregos para criar retratos, explorando a política da memória e as relações coloniais.  

Parte Dois: Lugares de Protesto: Espaço público e cidadania

Capítulo 7: Visible Speechlessness: A critical approach to image acts of lip-sewing (Mudez Visível: Uma abordagem crítica aos atos de imagem de costurar lábios): Amelie Ochs e Ana Lena Werner oferecem uma abordagem crítica aos atos de costurar os lábios como forma de protesto, focando nas implicações visuais e sociais desses atos.

Capítulo 8: 'Ripples in Water': Minor episodes of feminist visual activism by three women artists in the PRC (2007–15) ('Ondulações na Água': Episódios menores de ativismo visual feminista por três artistas mulheres na República Popular da China (2007-15)): Monica Merlin discute episódios menores de ativismo visual feminista na China, focando em trabalhos de três artistas mulheres que abordam questões de gênero e feminismo.  

Capítulo 9: 'America is Black,' Indigenous and Muslim: Tatyana Fazlalizadeh's public challenges to white nationalism ('A América é Negra', Indígena e Muçulmana: Os desafios públicos de Tatyana Fazlalizadeh ao nacionalismo branco): Stefanie Snider examina o trabalho da artista Tatyana Fazlalizadeh e suas intervenções públicas que desafiam o nacionalismo branco e a supremacia branca.

Capítulo 10: Farida Batool: A Pakistani visual activist (Farida Batool: Uma ativista visual paquistanesa): Amina Ejaz descreve o trabalho de Farida Batool como uma ativista visual paquistanesa e sua contribuição para o ativismo através da arte.

Capítulo 11: Jason DeCaires Taylor's Submerged Sculptures and the Iconography of Slow Violence (Esculturas Submersas de Jason DeCaires Taylor e a Iconografia da Violência Lenta): Karen Stock analisa as esculturas submersas de Jason deCaires Taylor, que atuam como recifes artificiais para promover a biodiversidade e destacar a "violência lenta" da degradação ambiental, um conceito de Rob Nixon.  

Capítulo 12: Keeping the Peace: The visual in the 'struggle' of non-violent activism in a global existential crisis (Mantendo a Paz: O visual na 'luta' do ativismo não-violento em uma crise existencial global): Darcy White explora o papel das estratégias visuais no ativismo não-violento, como as táticas de "humor e registro carnavalesco" para desarmar a violência e "táticas de frivolidade" para o protesto.  

Parte Três: Conectividade Online: Ativismo digital e a imagem em rede

Capítulo 13: Montage and Vernacular Spectatorship: The role played by YouTube channel AnarChnowa as a tool of visual activism in post-14 January 2011 Tunisia (Montagem e Espectador Vernacular: O papel do canal do YouTube AnarChnowa como uma ferramenta de ativismo visual na Tunísia pós-14 de janeiro de 2011): Marianna Liosi analisa como o canal do YouTube "AnarChnowa" utilizou a montagem e vídeos vernaculares (filmados por cidadãos) para o ativismo visual durante a revolução tunisiana de 2011.  

Capítulo 14: Sociality, Appearance and Surveillance in Digital Political Activism (Socialidade, Aparência e Vigilância no Ativismo Político Digital): Stefka Hristova discute as complexas interações entre socialidade, vigilância e a forma como nos apresentamos em contextos de ativismo político digital.

Capítulo 15: Rendering the Invisible Visible: Menstrual activism in contemporary India (Tornando o Invisível Visível: Ativismo menstrual na Índia contemporânea): Sugandha Sehgal explora o ativismo menstrual na Índia contemporânea, focando em como as imagens e a cultura visual são usadas para tornar visível um tema que é tabu na sociedade.

Capítulo 16: Unruly Images: The activist visuality of technical and bodily disruptions on Instagram (Imagens Indisciplinadas: A visualidade ativista das rupturas técnicas e corporais no Instagram): Vendela Grundell Gachoud analisa o uso do Instagram para ativismo, com foco em imagens que desafiam as normas estéticas e corporais, como a "glitch art", para promover a mudança.

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