P. Cine&Tela: Doze anos de escravidão

Eu assisti com minha família a um filme que me deixou em silêncio. Um silêncio diferente... daqueles que a gente sente quando algo muito importante acontece. O nome do filme é "Doze anos de escravidão" ("12 Years a Slave", em inglês), e eu fiquei pensando em como contar para vocês o que senti. Porque não é um filme fácil — mas, olha, é um filme necessário.

Ele conta a história real de um homem chamado Solomon Northup, que viveu nos Estados Unidos há quase duzentos anos. Solomon era um homem negro livre: ele tocava violino, vivia com sua esposa e seus filhos, trabalhava, sonhava, amava. Até que um dia, duas pessoas o enganaram, e ele foi sequestrado. Sim, sequestrado. E vendido como escravo, mesmo sem nunca ter sido escravo antes.

Essa parte me arrepiou. Porque ele gritava: "Eu sou um homem livre!" — e ninguém escutava. Ou pior: escutavam, mas não queriam acreditar. Ou fingiam que não ouviam.

Ele passou doze anos assim. Doze anos vivendo entre o medo, a violência, o trabalho forçado e a saudade esmagadora da família. Mas também — e isso me marcou muito — ele nunca deixou de lutar por dentro. Mesmo quando tudo parecia perdido, Solomon ainda tentava manter sua dignidade. Ainda olhava para os outros com compaixão. Ainda escrevia, quando conseguia. Ainda esperava.

O que esse filme me ensinou?

Primeiro, que a escravidão não é passado morto. Ela existiu — sim, de verdade — e foi cruel, injusta, absurda. E mesmo depois que acabou oficialmente, as feridas continuaram. Estão nos corpos, nas histórias, nos medos e até nos silêncios das famílias negras ao redor do mundo.

Segundo, que é muito importante ouvir essas histórias. Mesmo quando são difíceis. Principalmente quando são difíceis.

Terceiro, que o mundo só muda quando a gente enxerga o que foi escondido por tanto tempo. Ver o sofrimento de Solomon me fez lembrar que muitas vezes a gente escolhe não ver o que machuca. Mas o que não é visto, não pode ser curado.

Eu senti raiva. Tristeza. Mas também respeito. Muito respeito por quem sobreviveu a horrores e ainda assim manteve a alma viva. E gratidão por poder aprender com isso.

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