P. EaD: Design Thinking
Eu e meus filhos, Davi e Ana, fizemos juntos o curso, e aplicamos ao CAPSTONE PROJECT deles.
Nós aprendemos muito. Em poucas palavras ... O Design Thinking é uma abordagem para resolver problemas complexos de forma criativa e centrada nas pessoas. Ele coloca o ser humano no centro do processo para entender suas reais necessidades e, a partir daí, desenvolver soluções inovadoras e viáveis. Pense nele não como um conjunto rígido de regras, mas como um framework ou uma mentalidade.
A Analogia do "Como Poderia Nós...?" (How Might We...?)
A essência do Design Thinking é capturada pela pergunta "How Might We...?" (Como poderíamos nós...?). Esta pergunta:
· Como... → Assume que uma solução é possível.
· Poderíamos... → Tira a pressão, sugerindo que há múltiplas respostas e que podemos apenas tentar.
· Nós... → É um esforço colaborativo, de equipe.
Essa mentalidade transforma um problema ("As pessoas não se exercitam o suficiente") em um desafio criativo: "Como poderíamos nós ajudar as pessoas a incorporar atividades físicas na rotina diária de forma prazerosa?"
Os 5 Estágios do Design Thinking (segundo o modelo do Hasso Plattner Institute of Design em Stanford - d.school)
O processo é frequentemente representado por 5 estágios não-lineares. Isso significa que você pode voltar e repetir estágios conforme aprende mais.
1. Empatia
· O que é: Mergulhar no mundo do usuário para entender profundamente suas necessidades, desejos, experiências e motivações.
· Como se faz: Entrevistas, observação, imersão no contexto do usuário.
· Objetivo: Deixar de supor e começar a saber.
2. Definição
· O que é: Sintetizar todas as informações coletadas na fase de Empatia para identificar o problema central a ser resolvido.
· Como se faz: Agrupa-se os insights e define-se um "Ponto de Vista" (Point of View) claro, que normalmente segue a estrutura: "[O usuário] precisa de uma maneira de [necessidade do usuário] porque [insight surpreendente]".
· Objetivo: Criar foco e direção.
3. Ideação
· O que é: Gerar uma grande quantidade de ideias e soluções potenciais para o problema definido.
· Como se faz: Brainstorming, brainwriting, SCAMPER. A regra de ouro é adiar o julgamento – quantidade é mais importante que qualidade nesta fase.
· Objetivo: Explorar horizontes amplos e pensar "fora da caixa".
4. Prototipagem
· O que é: Transformar as melhores ideias em representações tangíveis e simples que podem ser testadas.
· Como se faz: Pode ser um storyboard (protótipo de história), um modelo de papel, um mockup de aplicativo, uma encenação (role-playing).
· Objetivo: Aprender rápido e com baixo custo. O protótipo é uma pergunta materializada.
5. Teste
· O que é: Colocar o protótipo nas mãos dos usuários reais para coletar feedback.
· Como se faz: Observar como os usuários interagem com o protótipo, fazer perguntas, ouvir suas opiniões.
· Objetivo: Validar ou invalidar as hipóteses, refinando a solução. Os insights desta fase muitas vezes levam você de volta à Empatia, Definição ou Ideação, reiniciando o ciclo.
Por que o Design Thinking é tão Poderoso?
· Centrado no Humano: Garante que você está resolvendo um problema real para pessoas reais.
· Aumenta a Criatividade: A estrutura ajuda a quebrar paradigmas e gerar soluções inovadoras.
· Reduz Riscos: Testar ideias com protótipos baratos evita gastar grandes recursos em uma solução que pode falhar.
· Fomenta a Colaboração: Une pessoas de diferentes áreas (marketing, engenharia, design, RH) em torno de um objetivo comum.
· Torna o Abstrato em Concreto: Ajuda a dar forma a problemas complexos e nebulosos.
Onde é Aplicado?
Embora venha do design de produtos e serviços, o Design Thinking é usado hoje em:
· Desenvolvimento de Produtos & Serviços (ex.: criar um novo app ou um serviço bancário).
· Inovação em Negócios (ex.: repensar um modelo de negócio ou uma experiência de cliente).
· Educação (ex.: desenhar novas metodologias de ensino).
· Saúde (ex.: melhorar a experiência do paciente em um hospital).
· Políticas Públicas (ex.: criar programas governamentais mais eficazes).
Em Resumo:
O Design Thinking é uma forma de pensar que usa a empatia e a experimentação para transformar problemas complexos em soluções desejáveis, viáveis e viáveis para as pessoas. É sobre "fazer para aprender" e "aprender para fazer melhor". É uma ferramenta incrivelmente valiosa para qualquer pessoa ou organização que queira resolver problemas de forma mais criativa e eficaz.
O que a Ana e o Davi ganharam ...
O curso se mostrou bem útil para o Projeto Capstone do Davi e da Ana, que eles já iniciaram, naturalmente integrado ao fluxo de aprendizado deles. E os dois já aplicaram muitos princípios do Design Thinking no processo criativo deles. Vamos conectar os pontos.
Como o Design Thinking se Alinha PERFEITAMENTE com o Projeto deles:
1. EMPATIA → Já fizeram isso com o Fandom!
· Eles mergulharam profundamente no universo dos fandoms, entendendo a cultura participativa, as motivações afetivas e as práticas de criação da comunidade.
· Isso é exatamente a fase de Empatia: entender o usuário (no caso, a comunidade do fandom) em seu contexto.
2. DEFINIÇÃO → O foco crítico do projeto
· O problema que definiram é sofisticado: "Como a IA está reconfigurando as práticas de criação nos fandoms, e quais as implicações para autoria, afeto e algoritmo?"
· Essa pergunta orientadora é um excelente "Point of View" - claro, focado e desafiador.
3. IDEIAÇÃO → O processo criativo das salas
· As 4 salas curatoriais representam diferentes "ideias" ou ângulos para explorar o mesmo problema central. Mas, pode ser que eles acrescentem outras ao longo do High School na Clonlara.
· A divisão em: fanart tradicional → diálogo com IA → questões éticas → futuro, mostra um pensamento divergente e convergente típico do Design Thinking.
4. PROTOTIPAGEM → A exposição virtual É o protótipo!
· O blog/exposição funciona como um protótipo de pensamento - materializam ideias complexas em uma experiência tangível que pode ser "testada" pelos visitantes.
· Cada sala é um protótipo de um argumento diferente.
5. TESTE → O feedback dos visitantes
· Quando as pessoas visitarem a exposição e, esperamos, com sorte, que tenham reações às provocações, Ana e Davi estarão coletando feedback valioso sobre suas ideias. Observando como as pessoas navegam pelo blog. O fluxo faz sentido? As provocações são compreendidas?
· Iteração: Com base no feedback, poderiam ajustar textos, reorganizar salas, ou até criar novas "respostas" às perguntas.
· E isso poderia evoluir depois para pesquisas mais estruturadas com a comunidade do fandom, tipo ...
· "Como poderíamos criar uma ferramenta de IA ética para fandoms?"
· "Como poderíamos facilitar o diálogo entre artistas tradicionais e usuários de IA?"
· As respostas poderiam virar novos projetos, apps, ou plataformas.
O Mais Interessante: Eles já Fizeram o "Hybrid Thinking"
O que é fascinante no projeto deles dois é que uniram Design Thinking com Pensamento Crítico:
· Design Thinking para a estruturação do projeto e experiência do usuário
· Pensamento Crítico para a análise profunda das implicações éticas e culturais
· Usaram a IA como ferramenta em TODO o processo, não apenas para gerar imagens
Isso é exatamente o que se espera de projetos contemporâneos: usar metodologias de forma híbrida e inteligente.
Metodologia: Design Thinking Aplicado":
Essa é a parte mais rica - traduzir a intuição e o sentimento em método acadêmico.
1. EMPATIA: "Como nos conectamos com a comunidade do fandom?"
"Nossa empatia com a comunidade do fandom emergiu de um lugar genuíno: nossa própria paixão por personagens e narrativas. Esta não foi uma observação distante, mas uma imersão vivencial. Como membros ativos de fandoms, experimentamos em primeira mão a economia afetiva que move estas comunidades - a vontade de expandir universos, a necessidade de representação e o desejo de diálogo criativo com as obras originais. Esta posição de pesquisador-participante nos permitiu acessar camadas profundas de entendimento sobre o que significa criar por amor a uma história."
Por que funciona: Eleva a "paixão" para o status de metodologia válida (pesquisador-participante) e usa linguagem acadêmica ("economia afetiva").
2. DEFINIÇÃO: "Qual problema central identificamos?"
"O problema central que definimos é a tensão dialética experimentada pelos fãs-criadores na era da IA: um conflito entre a fascinação pelas possibilidades técnicas e o medo existencial sobre o futuro de suas práticas criativas. Especificamente, investigamos como esta tensão se manifesta em três dimensões interligadas: a crise de autoria (quem é o criador?), a transformação do afeto (o que acontece com a conexão emocional quando mediada por algoritmo?) e a reconfiguração algorítmica das práticas culturais participativas."
Por que funciona: Captura a ambiguidade genuína que eles sentem e a transforma em uma questão acadêmica substantiva usando conceitos fortes ("tensão dialética", "crise de autoria").
3. IDEIAÇÃO: "Como estruturamos as perspectivas?"
*"Geramos quatro ângulos curatoriais complementares para dissecar esta problemática:
· Sala 1 | Raízes do Afeto: Estabelece a baseline da criação tradicional de fandom como ato puro de interpretação afetiva
· Sala 2 | Diálogo com o Algoritmo: Documenta o processo prático de colaboração criativa humano-IA
· Sala 3 | Zonas de Atrito: Mapeia as tensões éticas e autorais que emergem desta colaboração
· Sala 4 | Futuros Possíveis: Propõe cenários especulativos para a evolução desta relação"*
Por que funciona: Mostra que cada sala tem uma função metodológica específica no "experimento" maior.
4. PROTOTIPAGEM: "Como materializamos o conceito?"
"Transformamos este framework conceitual em um artefato experiencial - uma exposição virtual que funciona simultaneamente como galeria, ensaio visual e espaço de provocação. O blog não é apenas um container para obras, mas um dispositivo crítico onde a arquitetura de navegação espelha nosso processo de investigação, guiando o visitante através de uma jornada narrativa que vai do familiar ao especulativo."
Por que funciona: Posiciona a exposição como mais que um simples blog - é uma ferramenta de pensamento.
5. TESTE: "Como validaremos nossas ideias?"
*"A fase de teste ocorrerá durante o ano letivo de 2026 quando submetemos a exposição ao julgamento da comunidade que investigamos. O engajamento do público será analisado qualitativamente através de:
· Reações aos prompts reflexivos em cada sala
· Comentários e discussões gerados pelas obras
· Compartilhamentos e citações como indicadores de ressonância
Estes dados nos permitirão iterar tanto nas teses apresentadas quanto no formato expositivo, fechando o ciclo do Design Thinking."*
Por que funciona: Mostra que o "teste" é uma continuação da pesquisa, não apenas uma exibição estática.
O Diferencial do Projeto:
O que é brilhante na abordagem deles é que a ferramenta que eles investigam (IA) é a mesma que usam metodologicamente. Isso cria uma camada extra de sofisticação:
"Vale destacar que utilizamos a Inteligência Artificial não apenas como objeto de estudo, mas como parceira metodológica ao longo de todo o processo - desde a arquitetura inicial do projeto até a provocação intelectual que alimentou nossa fase de ideação. Esta autorreflexividade nos permitiu experienciar em primeira mão as mesmas tensões que investigamos academicamente."
Concluindo
Não só o Design Thinking foi útil, como Ana e Davi demonstraram uma aplicação madura e criativa dele. O projeto dos dois é um caso de estudo perfeito de como pensar design, tecnologia e crítica cultural de forma integrada! 🚀 E, eu, como mãe corujo, digo: "Estão de parabéns pelo trabalho incrível! A exposição está fantástica e a reflexão por trás é ainda mais impressionante".
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