P. HQs: Persépolis

 Uma das obras que eu escolhi para o meu ciclo de leituras ao longo do High School foi Persepolis, da Marjane Satrapi.


Eu achei o livro muito impactante. É uma autobiografia em quadrinhos que conta a história da própria Marjane, que cresceu no Irã durante a Revolução Islâmica e a guerra entre Irã e Iraque. A autora nasceu em 1969 em uma família iraniana de classe média e conta a história da sua infância até a vida adulta, mostrando como a política e a religião afetaram a vida dela e de toda a sociedade ao seu redor.


O livro é dividido em quatro volumes e aborda questões muito importantes, como a repressão, a perda da liberdade e o impacto da guerra na vida das pessoas. A Marjane, ou Marji, como ela é chamada na história, começa como uma menina muito curiosa e questionadora, que tem uma visão mais ingênua sobre o que está acontecendo ao redor dela. Ela tem uma relação forte com os pais e sua avó, que a influenciam bastante, especialmente nas ideias progressistas e nos valores de liberdade e justiça.


O contexto histórico é essencial para entender a história. A Revolução Islâmica aconteceu no final dos anos 1970 e trouxe muitas mudanças ao Irã, transformando o país em uma república islâmica. O regime impôs regras muito rígidas, principalmente para as mulheres, como a obrigatoriedade do uso do véu. A guerra com o Iraque também devastou o país e trouxe muito sofrimento. A Marji passa por várias situações difíceis, como a perseguição política, a censura e até a perda de amigos e familiares.


Uma das coisas que mais gostei foi a maneira como a Marjane evolui durante a narrativa. No início, ela é uma menina que sonha em ser uma revolucionária, inspirada pelos livros e pelos heróis da sua família, mas, à medida que cresce, ela percebe que o mundo é muito mais complexo e cruel do que imaginava. Ela enfrenta muitos conflitos internos, principalmente quando vai estudar na Europa, onde se sente dividida entre duas culturas. O fato de ser uma mulher iraniana em um contexto europeu também a coloca em situações de preconceito e solidão.


A narrativa é contada de forma direta e às vezes até engraçada, o que torna a leitura leve, mesmo quando os temas são pesados. A simplicidade dos desenhos em preto e branco ajuda a focar nas emoções e nas reflexões da Marjane, sem distrações. Ao mesmo tempo, essa simplicidade aumenta o impacto de momentos mais trágicos, como as cenas de guerra e repressão.


Os temas que o livro aborda são muito atuais, como a questão dos direitos das mulheres, a liberdade de expressão e a identidade cultural. A Marjane, como personagem, é muito inspiradora porque ela nunca deixa de questionar o que está errado, mesmo quando isso significa ser diferente ou enfrentar consequências. Ela é corajosa, mas também vulnerável, o que a torna muito real.


No geral, Persepolis me fez pensar muito sobre a realidade das pessoas que vivem em regimes autoritários e como a cultura e a política podem afetar profundamente a vida pessoal. É uma leitura que, além de ensinar sobre história, nos faz refletir sobre questões humanas universais.


Argumentos para a escolha desse livro 

Aqui está um argumento fortalecido para a escolha do livro Persepolis, de Marjane Satrapi, no meu currículo de High School na Clonlara School Off Campus:


1. Visão Pessoal e Histórica da Revolução Iraniana

Persepolis oferece uma visão única e íntima da Revolução Iraniana e de seu impacto na vida de uma criança e adolescente. Através da autobiografia de Marjane Satrapi, os alunos têm acesso a uma perspectiva pessoal e ao mesmo tempo histórica sobre os efeitos da revolução política e social no Irã. A obra é uma excelente ferramenta para compreender as tensões entre o regime político e as liberdades pessoais, abordando temas de identidade, liberdade e resistência.


2. Reflexão sobre Culturas, Identidade e Religião

O livro aborda a complexa interação entre religião, cultura e identidade no contexto de um país em plena transformação. Satrapi descreve suas próprias lutas para encontrar um equilíbrio entre sua identidade pessoal e as imposições de uma sociedade em mudança, proporcionando aos alunos uma compreensão mais rica sobre as tensões culturais e religiosas que moldam o mundo contemporâneo.


3. Combinação de Jornalismo e Arte Gráfica

A obra utiliza uma combinação poderosa de narrativa gráfica e elementos autobiográficos para transmitir os sentimentos e as experiências da autora. As ilustrações simplificam e ao mesmo tempo intensificam as emoções que Satrapi vivenciou, tornando o livro acessível e visualmente estimulante para os alunos. O formato gráfico facilita a conexão com temas complexos e pode atrair estudantes de diferentes perfis de aprendizagem.


4. Discussão sobre Direitos Humanos e Liberdade

Em Persepolis, Satrapi questiona e reflete sobre questões de opressão, liberdade de expressão e direitos humanos, principalmente no contexto de uma sociedade autoritária. Este tema é altamente relevante para o entendimento do papel dos direitos individuais em uma sociedade e para a discussão sobre a importância da liberdade e da justiça social. O livro também abre espaço para reflexões sobre a história recente e sobre como regimes autoritários moldam as vidas das pessoas.


5. Luta Pessoal e Resiliência

A narrativa não é apenas uma história política, mas também uma história de crescimento pessoal. Satrapi compartilha suas próprias lutas para entender o mundo e se encontrar em meio ao caos, destacando sua resiliência e capacidade de adaptação em tempos de crise. Esse tema de autodescoberta e resistência pode inspirar os alunos a refletirem sobre suas próprias jornadas de crescimento e como superam desafios pessoais.


Conclusão

Persepolis é uma obra essencial para estudantes do ensino médio, pois oferece uma visão multifacetada da Revolução Iraniana, da formação da identidade e da luta por liberdade e direitos humanos. Com sua narrativa gráfica envolvente e acessível, o livro oferece uma oportunidade única para discussões sobre a história, cultura e política do Oriente Médio, ao mesmo tempo em que instiga reflexões sobre questões universais como resistência, opressão e identidade. Sua inclusão no currículo proporcionará aos alunos uma compreensão mais profunda das complexidades do mundo moderno e das lutas pessoais e políticas que definem muitas sociedades.


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