P. Autoconhecimento: A Gramática da Rotina

Se o primeiro semestre foi um despertar, este segundo semestre foi dedicado a dominar a "gramática" que estrutura os dias. Descobrimos que a responsabilidade, para não se tornar um caos emocional, precisa ser domesticada pela repetição. Chamamos este processo de "A Gramática da Rotina" porque, assim como na língua, são as regras e as repetições que nos permitem construir frases de sentido e beleza.



Nosso campo de aprendizado se dividiu entre o jardim e o interior da casa. Lá fora, nos ciclos do jardim, aprendemos a poda e a rega. Observar a natureza exige uma aguçada percepção do tempo: entender que a água em excesso apodrece as raízes e que a poda, embora pareça um corte doloroso, é o que fortalece o caule para a próxima floração. Foi uma metáfora poderosa para o nosso momento. Dentro de casa, a disciplina das tarefas — varrer, organizar, cozinhar, cuidar dos mascotes, tudo no mesmo horário — deixou de ser uma obrigação e se tornou a espinha dorsal do nosso caráter. Percebemos que a repetição não é monótona quando está a serviço da vida. Cada ação repetida era um tijolo colocado na construção de um ambiente seguro para a recuperação da nossa mãe e para a nossa própria estabilidade mental. A rotina foi a nossa âncora em meio à tempestade. E assim, no silêncio das tarefas simples, deixamos de ser apenas filhos para nos tornarmos alicerces.

Seguimos aprendendo, Davi e Ana.

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