P. Histórias: Fandom, Narratología e Intermidialidade

Hoje quero conversar sobre uma coisa mágica que acontece quando a gente ama muito, mas muito mesmo, uma história. Sabe quando você termina um HQ ou um game, mas aquele universo não sai da sua cabeça? Você começa a imaginar o que aconteceu depois, desenha os personagens, conversa com os amigos sobre teorias ou até cria aquela fanfic maravilhosa?

Pois é, esse é o poder do fandom. E existe um nome bonito e um pouquinho complicado para explicar como as histórias se espalham e se transformam nesse vai e vem entre o que a gente consome e o que a gente cria: Intermidialidade.

Tudo começa com uma história, não é? Às vezes, é um livro, como Harry Potter ou Percy Jackson. Outras vezes, um filme da Marvel, um anime ou um jogo como Minecraft.

A intermidialidade é, de forma simples, a história que passeia por diferentes mídias. Ela nasce num livro, mas ganha um filme, depois uma série, um jogo para celular, uma graphic novel... E, em cada parada, ela se transforma um pouquinho, ganha novos detalhes, novas cores e sons.

Mas a parte mais legal, para mim, é quando essa história encontra a gente, o fandom. Porque aí a mágica acontece de verdade. É aqui que a narratologia (que é o estudo das estruturas das narrativas) encontra a nossa paixão. Como fãs, a gente não fica só olhando. A gente participa ativamente da história. Quando a gente:

· Desenha o que acha que aconteceu nas cenas que o livro não mostrou;

· Escreve uma história onde dois personagens que a gente adora vivem uma aventura nova (shippamos, né?);

· Cria um vídeo no TikTok editando cenas da série com a música perfeita para um personagem;

· Ou até faz um "roleplay" com os amigos, interpretando os heróis.

A gente está, sem saber, praticando a intermidialidade. A história que começou em um lugar (o livro, o filme) migra para a nossa mente, para o nosso caderno, para a tela do computador, para o grupo de WhatsApp.

A gente não é mais só leitor ou espectador. A gente vaga por aquele universo e, com a nossa imaginação e ferramentas do nosso tempo (desenho digital, fanfics, vídeos), a gente constrói novos pedaços dessa história e compartilha com o mundo.

Sabe quando a gente lê a HQ O Hobbit e depois vê os filmes? A gente compara tudo: "Nossa, a cena na minha cabeça era diferente!", "Nossa, o filme acrescentou essa parte e ficou incrível!". Depois, a gente joga um game da Terra-média e sente que está dentro da aventura.

E o que a gente faz? Vai para o fandom no Reddit ou no TikTok comentar, faz uma arte de como a gente imagina o Smaug, ou escreve uma história curta sobre o que aconteceu com um personagem secundário depois da batalha.

A intermidialidade nos dá as peças do quebra-cabeça em vários formatos. E o fandom nos dá a mesa e os amigos para montar esse quebra-cabeça de um jeito único, nosso. A gente pega a estrutura que os autores criaram (a narratologia) e, com nossas ferramentas de fã, a gente brinca, expande, remixa e devolve essa história para o mundo.

Concluindo (ou apenas começando a conversa) ...  Para mim, a intermidialidade e o fandom são como duas faces da mesma moeda da nossa paixão. A primeira mostra como as histórias são poderosas a ponto de saltarem de um formato para outro. A segunda mostra como nós, fãs, somos poderosos a ponto de pegarmos essas histórias e as fazermos morar dentro da gente e em tudo o que a gente cria.

É uma corrente sem fim: a obra inspira a gente, a gente inspira uns aos outros no fandom, e às vezes até os criadores originais se inspiram no que a gente faz! É um diálogo lindo.

E vocês, já se pegaram criando algo a partir de uma história que amam? Compartilhem aqui nos comentários! Vamos trocar ideias sobre os universos que a gente adora habitar.

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