P. Histórias: Fandom, Narratología e Intermidialidade

Nos últimos meses, comecei a explorar mais a fundo a relação entre fandom, narratologia e intermidialidade, e percebi que tudo isso tem muito a ver com a forma como consumimos e criamos histórias hoje. Como alguém que adora videogames, quadrinhos e séries, sempre gostei de pensar sobre o que faz uma boa história funcionar, mas agora estou entendendo melhor como essas histórias viajam entre diferentes mídias e como os fãs (incluindo eu) contribuem para expandi-las e transformá-las. Isso tem sido muito útil para a minha criação de conteúdos no TikTok.


Fandom e Participação Ativa
Primeiro, o fandom não é só um grupo de pessoas que gosta da mesma coisa – é uma comunidade ativa que cria, discute, transforma e até reinterpreta obras. Quando faço vídeos no TikTok falando sobre teorias, analisando personagens ou mostrando versões remixadas de histórias, estou participando dessa cultura. Percebi que, em vez de só consumir passivamente, estou contribuindo para que as narrativas continuem vivas.

Por exemplo, ao remixar cenas de jogos e criar pequenos vídeos interpretando histórias alternativas, estou praticando algo que Henry Jenkins chama de cultura da convergência. Isso acontece quando os fãs pegam elementos de diferentes mídias e os juntam para criar novas experiências. A fanfic, os edits de vídeos e até os memes são formas de contar histórias que surgem dentro dos fandoms.


Narratologia: Como as Histórias Funcionam?
A narratologia estuda como as histórias são estruturadas, e entender isso tem me ajudado muito na hora de criar roteiros para meus vídeos. Eu já percebia que algumas narrativas prendiam mais a atenção do público, mas agora consigo analisar melhor por quê.

Por exemplo, descobri que a jornada do herói, descrita por Joseph Campbell, aparece em quase todas as histórias que gosto, desde Star Wars até The Legend of Zelda. Quando faço um vídeo sobre um personagem, tento destacar quais partes da jornada ele está seguindo. Também comecei a brincar com a ideia de narrativa não linear – como em jogos tipo Undertale, onde as escolhas do jogador mudam a história. Isso me fez pensar em maneiras de criar vídeos interativos, onde as pessoas podem escolher diferentes caminhos comentando ou votando.


Intermidialidade: Quando as Histórias Pulam de uma Mídia para Outra
Intermidialidade é quando uma história ou um universo se expande para diferentes mídias, como quando um jogo vira um filme, um livro vira uma série ou um quadrinho ganha uma adaptação animada. Hoje, muitas franquias são intermidiais, e os fãs contribuem para isso ao remixar conteúdos.

No meu caso, comecei a fazer vídeos comparando versões de histórias em diferentes mídias. Por exemplo, analisei como o Batman muda entre os quadrinhos, os filmes e os jogos. Também criei um vídeo remixando cenas de The Last of Us, misturando o jogo com a série da HBO, mostrando como a adaptação mudou alguns elementos da narrativa.

Outro exemplo legal é o uso de trilhas sonoras para contar histórias de um jeito novo. Recentemente, editei um vídeo usando uma música triste para mudar completamente o tom de uma cena de um jogo de ação. Isso me fez perceber como o som também é um elemento narrativo poderoso e pode transformar a forma como interpretamos uma história.


Conclusão: Criando e Transformando Narrativas
O que mais aprendi nesse processo é que os fãs não são só consumidores – somos criadores. Seja ao fazer um vídeo no TikTok, remixar cenas de um jogo ou apenas comentar teorias, estamos ajudando as histórias a crescerem. O fandom é um espaço de criatividade, onde as pessoas pegam algo que amam e adicionam sua própria visão.

Agora, quando crio conteúdo, penso mais em como envolver as pessoas na narrativa. Tento usar elementos de narratologia para tornar minhas histórias mais envolventes e explorar a intermidialidade para conectar diferentes mídias. Isso não só me ajuda a melhorar meus vídeos, mas também me faz sentir parte de algo maior – uma comunidade que continua reinventando as histórias que ama.

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