P. Ilustrações: Identidade Visual @ninhaencantada


Etapa 1 – Conceito: posicionamento estratégico da marca

A marca @ninhaencantada nasce como desdobramento direto do manifesto apresentado no meu projeto, que defende o gesto humano como valor estético e ético no contexto da produção digital contemporânea. O posicionamento central pode ser sintetizado como: ilustração autoral, manual e consciente, que transforma o ambiente digital em espaço de acolhimento poético.

Minha marca como parte do meu Capstone Project

A promessa da marca é clara: oferecer ilustrações feitas integralmente por mim, artista, com intencionalidade narrativa e identidade reconhecível, em oposição à produção automatizada. Não se trata apenas de “não usar IA”, mas de afirmar a minha presença de artista em cada linha. A promessa é sensorial (textura, cor, traço), narrativa (universo encantado, personagens recorrentes) e ética (transparência sobre processo criativo).

O público-alvo primário inclui leitores sensíveis à estética artesanal, editoras independentes, criadores de jogos narrativos, autores que buscam identidade visual forte e consumidores que valorizam autoria humana. Há também um público secundário composto por jovens artistas interessados em processo criativo e bastidores.

É importante distinguir artista e marca. A artista é Ana: eu, sujeito biográfico, em formação, com repertório, dúvidas e evolução. A marca @ninhaencantada é o sistema simbólico que organiza essa identidade em linguagem comunicável e coerente. Eu artista posso experimentar; a marca precisa manter consistência. A artista vive; a marca posiciona. Essa diferenciação garante maturidade estratégica.


Etapa 2 – Visual: sistema identitário

O logotipo criado — círculo verde com a tenda desenhada à mão e lettering orgânico — opera como síntese visual do conceito. A forma circular sugere abrigo, ciclo, ninho. A tenda funciona como metáfora de espaço de criação e encantamento. O traço irregular comunica manualidade e proximidade, reforçando o discurso ético.

A paleta apresentada — verde musgo predominante, acompanhada de rosa suave, lilás, terracota, amarelo queimado e azul acinzentado — constrói um equilíbrio entre natureza e fantasia.

O verde musgo, como cor primária, simboliza crescimento, estabilidade e enraizamento. Psicologicamente, transmite segurança e acolhimento. Culturalmente, remete à floresta, ao artesanal, ao orgânico.

Os tons rosados e lilases evocam sensibilidade, imaginação e delicadeza. O terracota e o amarelo queimado conectam com pigmentos naturais, argila, calor humano. O azul acinzentado adiciona profundidade e equilíbrio, evitando excesso de doçura.

Essa paleta cria uma assinatura cromática reconhecível e coerente com o discurso de “fantasia enraizada”.

Na tipografia, o handlettering do logotipo deve ser tratado como elemento proprietário. Para textos corridos em blog e media kit, recomenda-se uma sans-serif humanista, como Open Sans ou Questrial, pois mantêm legibilidade digital e ecoam leve organicidade sem competir com o logotipo. O contraste entre escrita manual (expressiva) e tipografia neutra (funcional) organiza hierarquia e profissionaliza a comunicação.


Etapa 3 – Aplicação e teste nas plataformas

A identidade precisa ser validada no uso real.

No TikTok, a aplicação deve priorizar vídeos de processo, close no traço, textura visível e uso consistente do verde como moldura ou elemento fixo. Métrica de avaliação: retenção nos primeiros segundos, comentários relacionados ao processo manual, reconhecimento do estilo. Caso o verde não funcione bem em thumbnails, pode ser ajustado para maior contraste.

No blog, a textura de papel deve ser usada com moderação para não comprometer legibilidade. Avaliar tempo de permanência na página e clareza visual. Se o fundo texturizado prejudicar leitura, a textura pode migrar para cabeçalhos e manter o corpo do texto limpo.

No Scribd, onde o foco é leitura prolongada, a identidade deve aparecer principalmente em capa, sumário e páginas de abertura. O teste aqui é técnico: legibilidade em PDF, contraste adequado e coerência tipográfica.

Documentar funciona como parte metodológica do projeto: capturas de tela, análise de engajamento, observação de comentários, autoavaliação crítica. Identidade não é apenas estética; é performance comunicacional.


Etapa 4 – Refinamento e ética do projeto

O refinamento, ao final do High School, deve considerar não apenas métricas de engajamento, mas coerência com os princípios éticos declarados no projeto. Se determinada estratégia aumentar alcance mas diluir o posicionamento autoral, ela deve ser revista.

Minha marca como parte do meu Capstone Project.

Perguntas orientadoras:

A estética permanece fiel ao gesto manual?

A comunicação deixa explícita a autoria?

O sistema visual mantém coerência entre plataformas?

Há excesso decorativo que compromete clareza?

Refinar pode significar simplificar o logotipo para versões reduzidas, ajustar saturação da paleta para impressão, ou padronizar templates de post. Também pode envolver fortalecer a assinatura verbal da marca — repetir a frase de posicionamento até que se torne indissociável da identidade visual.

Conclusão

A produção prática da identidade @ninhaencantada demonstra compreensão de branding como sistema integrado: conceito, forma, aplicação e ética convergem. A marca não é apenas um desenho bonito, mas um posicionamento estratégico no mercado contemporâneo da ilustração.

O logotipo, a paleta e o discurso formam um ecossistema coerente que comunica acolhimento, fantasia e autoria humana. O refinamento contínuo garantirá maturidade profissional e consolidação da minha marca como território simbólico próprio dentro do ambiente digital.

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