P. Videogames: O que é Narratología?
O que aprendi sobre narratologia com minha mãe
Minha mãe estudou Letras, e isso tem sido muito útil para mim. Quando comecei a aprender sobre narratologia, achei que era só uma maneira chata de estudar histórias, tipo aqueles resumos de escola que estragam a diversão. Mas depois que ela me explicou melhor, percebi que é algo muito interessante e que pode me ajudar a entender melhor as coisas que eu gosto, como mangás, videogames e séries.
O básico da narratologia
A narratologia, como minha mãe me disse, começou como uma forma de estudar as histórias de maneira mais técnica, analisando como elas são organizadas e quais padrões aparecem nelas. No começo, era algo mais rígido, quase como um manual de regras para escrever histórias, mas com o tempo foi ficando mais flexível e começou a considerar diferentes maneiras de entender as narrativas.
Os primeiros estudos: Propp e os arquétipos
Minha mãe me contou que um dos primeiros caras a estudar isso foi Vladimir Propp, que analisou os contos populares russos e descobriu que todas as histórias seguiam um certo padrão de ações e personagens. Ele percebeu que sempre havia figuras como o herói, o vilão, o ajudante, o doador, entre outros.
Eu achei isso legal porque percebi que várias das histórias que eu gosto seguem esse padrão. Por exemplo, em One Piece, o Luffy é o herói clássico – corajoso, determinado e sempre em busca de aventuras. Em cada arco, há um vilão que representa um grande desafio (tipo o Crocodile ou o Doflamingo), e sempre há um ajudante novo (como Vivi ou Law). Foi legal discutir isso com a minha mãe, porque ela me ajudou a ver esses padrões mesmo quando eles não são tão óbvios.
Outro exemplo que me fez perceber o quanto isso se repete é The Legend of Zelda. O Link é o herói, a Zelda muitas vezes assume o papel de doadora (quando guia o Link ou dá a Triforce) e o Ganon é o vilão fixo. Mesmo que os jogos mudem a história, essa estrutura básica sempre se mantém.
O estruturalismo e os padrões invisíveis
Depois, minha mãe me explicou sobre o estruturalismo, que veio de uns caras como Ferdinand de Saussure e Claude Lévi-Strauss, que acreditavam que todas as histórias seguem estruturas escondidas, como se fossem regras invisíveis que organizam tudo.
Um teórico chamado Gérard Genette pegou essa ideia e começou a estudar como as histórias organizam o tempo, os pontos de vista e a maneira como são contadas. A gente até brincou de analisar uma cena de Naruto, tentando entender se a história estava sendo contada de forma linear ou se havia flashbacks e flashforwards.
A cena que analisamos foi a luta entre Naruto e Pain. O anime usa flashbacks para explicar a motivação de Pain e sua relação com Jiraiya. Isso faz a gente sentir mais empatia pelo vilão, algo que não aconteceria se a história fosse contada de forma totalmente linear. Depois de perceber isso, comecei a reparar que muitos animes e filmes usam manipulação do tempo para criar impacto emocional.
Outro exemplo interessante que discutimos foi Dark, da Netflix, que brinca tanto com o tempo que às vezes dá nó na cabeça! A série usa flashbacks, flashforwards e até narrativas paralelas para criar sua história. Sem essa estrutura, a história de viagem no tempo não funcionaria.
O pós-estruturalismo e as múltiplas interpretações
Mas aí minha mãe me mostrou que nem todo mundo concorda com essas regras fixas. Ela me apresentou o pós-estruturalismo, que tem a ver com um filósofo chamado Jacques Derrida, que dizia que as histórias não têm uma estrutura única e definitiva. Ele acreditava que cada pessoa interpreta uma história de um jeito diferente e que as narrativas podem até se contradizer.
No começo, isso me pareceu estranho. Mas depois pensei em como os fãs de Attack on Titan interpretam os personagens de formas tão diferentes – alguns acham que o Eren é um herói trágico, outros acham que ele virou um vilão genocida. A história dá pistas para ambas as leituras, e isso prova que as narrativas podem ter múltiplos significados dependendo de quem está assistindo ou lendo.
A fenomenologia e a experiência do leitor
Aí veio a parte da fenomenologia, que fala mais sobre a experiência pessoal de quem lê ou assiste algo. Minha mãe mencionou Paul Ricoeur, que dizia que a narrativa ajuda as pessoas a darem sentido às suas vidas.
Isso me fez pensar em como algumas histórias realmente me marcaram. Por exemplo, quando assisti Your Name, fiquei refletindo sobre o tempo e as oportunidades que a gente tem na vida. Dependendo da experiência de cada um, essa história pode ser vista como um romance, uma tragédia ou até uma metáfora sobre memórias e destino.
Outro exemplo é Undertale, um jogo que muda de acordo com as decisões do jogador. A experiência de cada pessoa é diferente: alguns terminam o jogo sem matar ninguém, outros seguem o caminho mais agressivo. Isso mostra como a narrativa pode ser vivida de formas diferentes dependendo de quem interage com ela.
A hermenêutica e a forma como interpretamos histórias
Outra coisa interessante que aprendi foi sobre a hermenêutica, que também tem a ver com o Paul Ricoeur. Ele acreditava que as histórias são uma forma de entender a vida e construir nossa identidade.
Minha mãe me contou que ele dizia algo como: "O tempo se torna humano na medida em que é articulado narrativamente." Isso me fez pensar em como, às vezes, eu conto histórias da minha própria vida de maneiras diferentes dependendo da situação.
Por exemplo, quando falo sobre meu primeiro campeonato de videogame no Brawlstars, às vezes pareço um herói que superou os desafios, outras vezes pareço só um cara que deu azar e perdeu. Isso mostra como a narrativa pode mudar nossa própria percepção da realidade.
Narrativas e sociedade: a visão materialista
Depois, minha mãe me apresentou o materialismo e as narrativas culturais, que analisam as histórias a partir das forças sociais e culturais. Isso me fez pensar em como algumas séries de streaming mudam certos personagens para se encaixar nas discussões atuais sobre representatividade ou questões sociais.
Por exemplo, quando saiu a adaptação de The Sandman, algumas escolhas de elenco geraram debates sobre inclusão e representatividade. Isso me fez perceber que as histórias não são neutras – elas refletem a sociedade e, às vezes, ajudam a moldá-la.
Outro exemplo são jogos como The Last of Us Part II, que geraram discussões intensas sobre narrativa e representatividade. Algumas pessoas adoraram a ousadia da história, outras odiaram. Isso prova que as histórias nunca são apenas "diversão", elas sempre carregam significados mais profundos.
Como tudo isso mudou minha visão sobre as histórias
Depois de tudo isso, comecei a ver os mangás, jogos e séries de outra forma. Quando assisto algo na Netflix que veio de um mangá, fico prestando atenção em como a história foi adaptada:
Será que a estrutura do tempo mudou?
A série expandiu a história original com novas informações?
Os personagens foram interpretados de forma diferente?
Um bom exemplo foi quando joguei Cyberpunk 2077 e assisti ao anime Cyberpunk: Edgerunners. No jogo, a narrativa me coloca no controle da história, enquanto no anime sou apenas espectador. Isso me fez entender melhor como diferentes mídias usam a narrativa de formas distintas.
No final, minha mãe me ajudou a perceber que a narratologia não é só um jeito complicado de estudar histórias, mas algo que realmente me ajuda a entender melhor as coisas que eu gosto. Agora, quando jogamos, lemos ou assistimos algo juntos, a gente conversa sobre como a história está sendo contada, e isso deixa tudo mais interessante.
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