P. Ilustração: A arte e as outras mídias

Uma coisa que eu percebi estudando com meus pais e ouvindo entrevistas e palestras no YouTube é que, quando surge uma mídia nova, ela nunca apaga a anterior. A escrita não matou a oralidade. O rádio não acabou com o livro. A TV não destruiu o rádio. E a internet não matou nenhum dos dois. Cada meio se transformou e encontrou um lugar diferente.


Muita gente fala da inteligência artificial como se fosse “só mais uma mídia” nessa linha. Mas eu não sei se é bem assim, e muitos outros que eu ouvi também duvidam disso. A sensação que eu tenho é que a IA é mais parecida com invenções que atravessaram tudo: tipo a eletricidade. Não foi “uma mídia a mais”, foi algo que mudou a forma de viver, de trabalhar, de se organizar.

Outro exemplo engraçado é a máquina de lavar roupas. Minha mãe compartilhou um livro que mostra como ela transformou mais a vida cotidiana do que a televisão ou até a internet. Porque libertou tempo e energia de milhões de pessoas, principalmente mulheres. Uma tecnologia “simples” e doméstica, mas que virou o mundo de ponta-cabeça.

Talvez a inteligência artificial seja um pouco isso: não está competindo só com livros, TV ou pintura. Ela atravessa tudo ao mesmo tempo — arte, ciência, economia, saúde, escola, casa. Não é só uma nova linguagem, é uma nova infraestrutura.

E é por isso que eu sinto que a comparação com outras mídias não explica tudo. A gente não sabe ainda qual será o lugar da IA. Pode ser que, como sempre, ela se some ao que já existe. Mas também pode ser que mude o tabuleiro inteiro, como quando a luz elétrica chegou ou quando a máquina de lavar começou a girar silenciosamente dentro das casas.

E eu fico aqui, desenhando minhas fanarts, tentando encontrar meu lugar nessa história que ainda está sendo escrita.


Comentários