P. Autoconhecimento: A Linguagem dos Outros

Neste terceiro semestre, nossa sala de aula se expandiu para além dos livros e ganhou patas, asas e ronronados. Assumimos como voluntariado o monitoramento do bem-estar dos nossos animais, e o que aprendemos foi uma verdadeira imersão em uma forma de comunicação que não depende de palavras. Chamamos essa fase de "A Linguagem dos Outros".






Cuidar de seres tão distintos — do nosso minipig aos periquitos — nos confrontou com o nosso próprio egocentrismo humano. Um porco-miniatura não expressa desconforto da mesma forma que um cachorro; um periquito demonstra estresse de maneiras que exigem olhos atentos e mente silenciosa para serem decifradas. Tivemos que aprender a ler o apetite, a postura corporal e até o brilho nos olhos de cada um deles. Descobrimos, na prática, o que significa empatia: não é sentir o que o outro sente, mas respeitar a forma única como o outro manifesta suas necessidades. Exercitamos uma paciência que não conhecíamos em nós mesmos — a paciência de esperar um animal confiar, de observar sem invadir, de servir sem esperar gratidão explícita. Este semestre nos ensinou que cuidar de quem não fala a nossa língua é uma escola silenciosa de humildade e presença. Cada ronco satisfeito do minipig e cada canto matinal dos periquitos se tornaram diplomas de uma comunicação que aprendemos a ouvir com o corpo inteiro.

Com ouvidos mais atentos,
Davi e Ana.

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