P. Videogames: Brasil no Minecraft - parte 8
Is the west the best????
O Ocidente é Realmente o Melhor? Desconstruindo a Grande Mentira
“The West is the best” – essa não é uma simples frase, mas uma narrativa poderosa, repetida em livros, filmes e até mesmo em salas de aula, que coloca Europa e Estados Unidos no topo de uma hierarquia imaginária da humanidade. De acordo com essa história, o progresso humano teria seguido uma linha reta e brilhante: da Grécia a Roma, da Renascença ao Iluminismo, culminando na democracia e na industrialização do “Ocidente”. O resto do mundo – Ásia, África, povos originários das Américas – aparece como coadjuvante, quando muito, nesse enredo.
Essa visão, porém, é uma construção ideológica, não um fato histórico. Ela ignora, por exemplo, que a Grécia bebeu do conhecimento do Egito e da Mesopotâmia; que a Europa medieval deve a preservação de textos clássicos aos estudiosos do mundo islâmico; e que a Revolução Industrial britânica foi financiada pela riqueza extraída das colônias e pelo trabalho escravizado. Enquanto universidades europeias ensinavam que o “Ocidente” era mais inteligente e criativo, silenciavam sobre as universidades de Timbuktu, no Mali, sobre a metalurgia avançada dos reinos do Congo, sobre a astronomia precisa dos maias ou sobre a filosofia complexa da Índia e da China.
O pior é que essa narrativa não é inofensiva. Ela gera um essencialismo perigoso – a ideia de que algumas características, como “racionalidade” ou “inovatividade”, seriam inerentes aos europeus, enquanto aos outros povos restariam o “exotismo” ou o “atraso”. Essa lógica foi e ainda é usada para justificar o colonialismo, o racismo e a exploração econômica que perduram até hoje. Ela nos faz duvidar do valor de nossas próprias raízes e nos leva a menosprezar saberes locais, tradições e formas de organização social que não se encaixam no modelo ocidental.
Minecraft: Um Mundo para Desaprender a Superioridade
No Minecraft, transformamos essa crítica teórica em prática lúdica. O jogo se tornou nosso laboratório para desmontar, tijolo a tijolo, a ideia de que o Ocidente é o melhor.
Em vez de castelos medievais, optamos por construir uma pirâmide maia, um gesto que por si só já questiona a noção de que apenas a arquitetura europeia é “grandiosa”. Erguer essa estrutura nos fez pesquisar: como era organizada aquela sociedade? Que conhecimentos matemáticos e astronômicos eles dominavam para erguer tais monumentos?
Nossas expedições por biomas como savanas e selvas tropicais não foram apenas aventuras, mas oportunidades para refletir: como os povos que sempre viveram nesses ambientes os compreendem e deles cuidam? Enquanto a lógica ocidental frequentemente vê a natureza como um recurso a ser explorado, muitas culturas não ocidentais a veem como uma relação de parentesco a ser honrada.
Criamos exposições virtuais dentro do jogo, onde cada curadoria era um ato de resistência. Reunimos instrumentos musicais de diferentes culturas, padrões têxteis africanos e receitas culinárias indígenas. Cada item contava uma história de invenção e beleza que a narrativa ocidental majoritariamente omite.
Por fim, nossas discussões em grupo no jogo viraram círculos de descolonização do pensamento. Debater por que um “pagode chinês” é tão valioso quanto uma “catedral gótica” não é um exercício de relativismo vazio. É a base para entender que a verdadeira riqueza da humanidade está na sua diversidade irredutível.
A conclusão que tiramos dessa jornada é clara: a pergunta “Is the West the best?” já carrega em si um veneno. A pergunta certa é: como podemos aprender com a imensa e generosa tapeçaria de conhecimentos que a humanidade, em toda a sua diversidade, teceu ao longo de milênios? O Minecraft foi nossa ferramenta para começar a dar essa resposta, não com palavras, mas com ação, criação e uma nova maneira de ver o mundo.
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