P. Ilustrações: Arte e Revolução

Eu, sem nem perceber, já me conectei com a história através de coisas que sempre amei. É maluco como a gente pensa que cultura pop é só distração, mas ela é um portal para entender o mundo de um jeito totalmente novo.

Eu, por exemplo, sempre fui fã de quadrinhos e desenhos. Lembro de ver desenhos como "Capitão Planeta" ou filmes da Disney com princesas que "não precisavam de príncipe". Achava legal, mas não entendia a profundidade. O texto me fez ligar os pontos: essas narrativas não são novas. Elas são a continuação de uma tradição de usar a arte para falar de justiça, para dar voz a quem não tem.

O paralelo entre os cartuns da Revolução Francesa e os memes políticos de hoje é o que mais me pegou. Eu sempre achei que memes eram bobos, só pra dar risada. Mas, pensando bem, quantos memes eu já vi que ironizam políticos corruptos? Quantas vezes eu compartilhei um que denunciava uma injustiça? É exatamente a mesma coisa que aqueles cartunistas faziam: eles usavam a sátira e o humor pra deslegitimar o poder, pra fazer o povo rir da cara de quem os oprimia. O riso compartilhado cria um senso de "nós estamos juntos nisso", e isso é poderoso demais. A diferença é que, pra eles, um cartum era um evento, algo que levava tempo pra se espalhar. Pra gente, é instantâneo. Um meme pode se tornar um símbolo de um movimento em questão de horas.

E as fanarts ativistas? Eu lembro de seguir perfis que redesenhavam personagens de desenhos animados em outras etnias, ou com roupas tradicionais de outras culturas. Na época, eu só achava "bonitinho" ou "interessante". Mas o texto me fez ver que isso é uma forma de recontar a história, de dar protagonismo para quem a história oficial muitas vezes ignora. É a mesma lógica dos panfletos e ilustrações dos movimentos pelos direitos civis, que usavam imagens para evocar empatia e mostrar a humanidade de grupos marginalizados. É sobre usar algo que as pessoas já amam para abrir o coração delas para uma causa.

Quando penso nos exemplos da América Latina, a ficha cai de vez. Lembro de ver um monte de fanart da Marielle Franco, em diferentes estilos, transformando ela em um ícone pop, um símbolo de luta. E é exatamente isso que fizeram com a imagem do Che Guevara, do Toussaint Louverture, com a xilogravura do cordel nordestino. A gente não precisa ser um historiador para entender o legado desses heróis. A cultura pop faz isso por nós.

O que me toca nisso tudo é que a luta é a mesma, mas as ferramentas mudaram. A indignação, a esperança, a necessidade de se conectar com outros que pensam como você. Isso é atemporal. O que a gente chama de "cultura pop" é, na verdade, a voz da nossa geração. É o nosso jeito de pintar nas paredes (digitais), de criar panfletos (memes) e de contar nossas histórias (fanarts).

O texto me fez ver que não sou só um consumidor passivo. Quando eu compartilho um meme político ou uma fanart que me toca, eu estou participando de uma longa e histórica tradição. Estou usando o que tenho em mãos para lutar por um mundo melhor. E isso, pra mim, foi um aprendizado e tanto.

E você, qual desses paralelos mais te surpreendeu? Já se pegou encaminhando algo que, sem saber, era uma forma de ativismo? Compartilha nos comentários!

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